Trump promove festa da independência dos EUA em meio a recorde de casos

Onze Estados vão entrar nas comemorações do 4 de Julho com recorde diário de notificações.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Saul Loeb/AP
Donald Trump na celebração no Monte Rushmore e Washington enquanto o país registra mais de 57 mil novos casos de covid-19.

Donald Trump iniciou nesta sexta-feira (3), as comemorações do dia da independência com um foguetório em Monte Rushmore, diante das efígies de ex-presidentes esculpidas na rocha, e promove neste sábado uma festa para milhares de pessoas em Washington. A celebração do feriado de 4 de Julho, porém, ocorre no momento em que os EUA registram recorde de novos casos de covid-19 e governadores e prefeitos impõem restrições de movimento.

Trump se dirigiu a uma multidão que gritava por “mais quatro anos”, a maioria sem máscaras, como defensor da “integridade” do país. “Diremos a verdade como é, sem pedir desculpas: os Estados Unidos da América são o país mais justo e excepcional que já existiu na Terra”, disse ele.

Durante o discurso, Trump falou sobre os debates em torno dos símbolos do país, como as estátuas de escravocratas, alvos de centenas de protestos. “Uma campanha destinada a apagar a nossa história, difamar nossos heróis, suprimir nossos valores e doutrinar nossos filhos”. O presidente disse ainda que os estadunidenses são “fortes” e “orgulhosos”.

Pouco antes da chegada de Trump ao local, a imprensa americana divulgou que uma das maiores apoiadoras do presidente, Kimberly Guilfoyle, testou positivo para o novo coronavírus. Ela é namorada de Donald Trump Jr, filho do líder americano, e estava na Dakota do Sul para presenciar o discurso de Trump. Kimberly foi testada como parte de um protocolo para todas as pessoas que possam entrar em contato direto com o presidente. Ao receber o resultado, Kimberly foi isolada. Donald Trump Jr testou negativo, mas também vai se isolar e cancelar todas as aparições públicas.

Nesta sexta-feira (3), os EUA superaram pelo terceiro dia consecutivo o recorde de novas notificações de coronavírus: em 24 horas, foram mais de 57.683 infectados, segundo a contagem da Universidade Johns Hopkins. É a quarta vez nesta semana que os EUA registram recorde de contágios diários, com mais de 42 mil na segunda-feira, mais de 52 mil na quarta e 53.069 na quinta.

Juntos, Arizona, Califórnia, Florida e Texas são responsáveis por quase 30 mil novas contaminações por dia. Ao todo, segundo o Washington Post, 11 Estados entram no feriado deste fim de semana com recorde diário de infecções.

Em 40 dos 50 Estados americanos, a curva de novos casos cresce, em vez de diminuir, de acordo com levantamento do New York Times. Nas últimas duas semanas, o total de novas contaminações cresceu 90%. O governo americano garante que o avanço da pandemia é causado pelo aumento no número de testes e indicam como razão do otimismo a taxa de mortalidade, que vem se mantendo estável.

Especialistas, no entanto, dizem que, apesar do aumento no número de testes, a quantidade proporcional de resultados positivos para covid-19 vem crescendo. No Texas, por exemplo, a positividade aumentou de 5% para cerca de 15% em uma semana. Outra preocupação é com o aumento no índice de internações, que cresce rapidamente em vários Estados e coloca em risco a capacidade dos hospitais.

O vice-almirante Jerome Adams, espécie de conselheiro da presidência para assuntos de saúde pública, explicou que o número de mortes é menor, possivelmente, porque a faixa etária dos infectados caiu. Se no início da pandemia a maioria dos contaminados tinha mais de 60 anos, agora eles têm em média 35 anos – e correm menos risco.

“Mas é preciso cautela”, disse Adams ao programa Fox & Friends, um dos favoritos de Trump. “Sabemos que as mortes ocorrem duas semanas depois do aumento das contaminações.” Além disso, a preocupação, segundo ele, é que esses jovens sirvam de vetor para contaminar os pais ou os avós.

Neste sábado, Trump e a primeira-dama Melania promovem uma festa batizada de “Saudação à América”, diante da Casa Branca, para milhares de pessoas. A organização pretende distribuir 300 mil máscaras – embora não esteja claro se o uso será obrigatório. Os organizadores prometeram uma queima de fogos de artifício e acrobacias aéreas dos esquadrões Blue Angels e Thunderbirds.

Além do risco de contaminações, autoridades locais também estão de olho em manifestações em Washington – há mais de 20 marcadas para o 4 de julho na capital, incluindo uma marcha do movimento Black Lives Matter. Apesar do bloqueio de ruas e do forte esquema de segurança, o risco de confronto é alto.

Tags: Estados Unidos
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