Jarbas Vasconcelos diz que foi vítima de retaliação

Senador foi afastado da Comissão de Constituição e Justiça pela segunda vez, mesmo sem ter sido comunicado oficilmente.

Delma Lopes,
Geraldo Magela/Agência Senado
Senador Jarbas Vasconcelos no momento do discurso em que recusa indicações para comissões.
Em quase 3 horas de pronunciamento e apartes, o senador Jarbas Vasconcelos foi apoiado pelos demais senadores em discurso, no plenário do congresso nacional na noite desta terça-feira (3).

O peemedebista falou do seu afastamento, pela segunda vez, da Comissão de Constituição e Justiça, só que desta vez sem ter sido comunicado pelo seu partido, o PMDB, contra o qual ele fez duras denúncias de corrupção em entrevista à revista Veja.

Jarbas Vasconcelos caracterizou de “retaliação mesquinha” a atitude do seu partido. “Não foi com surpresa que no dia de hoje fui informado que o atual Líder afastou-me, mais uma vez, da Comissão de Constituição e Justiça sem sequer me comunicar oficialmente”, disse em seu pronunciamento.

Em virtude disso, o senador usou a tribuna da Casa para comunicar à Mesa que não aceita qualquer outra indicação da Liderança do PMDB para colegiados na Casa. “Nem mesmo na ditadura tive meus direitos políticos cerceados, apesar de combatê-la diuturnamente. Agora, em pleno regime democrático, que tive a honra de ajudar a construir, sou impedido de exercer o meu mandato em sua plenitude, frustrando os milhares de pernambucanos que me confiaram a sua representação”.

Jarbas abriu mão das indicações para compor a Comissão de Relações Exteriores, Comissão de Educação e Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, como membro titular, e para a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, CDR, como membro suplente.

Antes de fazer o comunicado, Jarbas relembrou a sua atuação no Senado. “Ao chegar a esta Casa, Sr. Presidente, iniciando o exercício do meu mandato, procurei a Liderança do PMDB, que era exercida pelo Senador Valdir Raupp, e pedi para que fosse indicado para compor a Comissão de Constituição e Justiça, representando o Partido. O ex-Líder é testemunha disso”.

Mas Vasconcelos não se limitou a relembrar os bons momentos que viveu na CCJ. Quando Renan Calheiros (PMDB) era o presidente da Casa é que ele foi afastado pela primera vez do cargo. Foi após a relatoria do Projeto que previa o afastamento preventivo dos membros da Mesa em caso de oferecimento de representação que sujeitasse o Senador à perda de mandato.

O senador Jarbas proferiu parecer favorável à matéria, que foi aprovada pela Comissão e pelo Plenário. “Ao defender este instituto que não permitia o uso do cargo para inviabilizar as investigações, angariei a insatisfação – para dizer o mínimo – do então Presidente da Casa, Senador Renan Calheiros. Para minha surpresa, após essa relatoria, fui, em companhia do Senador Pedro Simon, sumariamente afastado daquele colegiado pelo Líder Raupp, que, após pressão de vários companheiros do Partido, da Oposição e da população em geral, resolveu reconduzi-los ao cargo.

Denúncias

Quanto às declarações em entrevista à revista Veja, Jarbas declarou que não acrescentaria mais "nenhuma vírgula (...). Hoje, volto a acrescentar que não tenho vírgula a acrescentar. Não sou mesquinho, nem pequeno. O que tinha que dizer já disse. Seria pequeno se acrescentasse mais coisas."

O senador evitou citar nomes de integrantes do PMDB que estariam envolvidos em casos de corrupção. Deixa essa missão para a Polícia Federal, Ministério Público e demais órgãos responsáveis por esses assuntos. 

Limitou-se a dizer: "os nomes de políticos envolvidos em casos de corrupção vêm à tona quase que diariamente". "Não preciso mencionar", disse.
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