Partido de Evo adota tom moderado e diz que não é hora de ex-presidente voltar

Próximos dias serão decisivos para saber até que ponto Evo terá influência em um governo de Arce.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Twitter/Luis Arce
Próximos dias serão decisivos para saber até que ponto Evo Morales terá influência em um governo de Luis Arce.

O grupo político ligado a Luis Arce, presidente eleito da Bolívia, adotou nesta segunda-feira (19), um tom bem mais moderado do que se previa. Sebastián Michel, porta-voz do Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Arce,  afirmou que o país entrou em uma nova etapa e o estilo de governar será outro.

“Primeiro, haverá uma mudança de estilo. As pessoas não querem mais ódio. É preciso olhar para frente, não olhar para trás. Em segundo lugar, é hora de pouca imposição, de muito diálogo. Devemos começar a conversar com todos os setores da sociedade, incluindo a oposição. E, em terceiro, precisamos dar sinais de reativação econômica”, disse Michel, em entrevista à rede Unitel.

Na mesma linha, a presidente do Senado, Eva Copa, garantiu que o MAS vai se reconstituir e retificar os erros cometidos durante os 14 anos de governo de Evo Morales. “Chegou a hora de voltar aos trilhos, reconstruir o MAS, corrigir os erros que cometemos e fortalecer os acertos que tivemos”, disse Eva, que declarou ser o momento de "abraçar todos os bolivianos e redirecionar o país".

Os próximos dias serão decisivos para saber até que ponto Evo terá influência em um governo de Arce. A julgar as primeiras declarações após a eleição, a situação do ex-presidente não é tão confortável quanto parece.

Sobre o pedido de alguns setores do MAS para que Evo retorne à Bolívia, Eva Copa disse que não é o momento de falar em retorno, uma vez que "não estão reunidas as condições necessárias", uma referência às denúncias que ainda existem contra ele.

A Procuradoria Geral do Estado investiga Evo em duas acusações de estupro. No primeiro caso, ele é acusado de ter tido uma relação amorosa com uma jovem de Cochabamba quando ela era menor. A segunda é por ter tido relacionamento com uma adolescente de 15 anos, com quem teria tido uma filha em 2016. Na Bolívia, o estupro pode render prisão de três a seis anos, para quem manteve relação com menor de 18 anos e maior de 14 anos.

Há outra denúncia formal do Ministério Público contra Evo pelos "crimes de terrorismo e financiamento do terrorismo" por ter coordenado com um líder cocaleiro, por telefone, o bloqueio do abastecimento de comida no cerco às capitais regionais durante os protestos de 2019.

Evo permanece exilado na Argentina desde o ano passado. Nesta segunda-feira, 19, depois de agradecer ao MAS o apoio na votação de domingo, o ex-presidente disse que mais cedo ou mais tarde retornará à Bolívia. "Isso não está em discussão", afirmou Evo.

O porta-voz do MAS, Sebastián Michel, acredita que este não é o momento de Evo voltar do exílio. “Neste momento, ele não pode voltar. Ele não tem as garantias fundamentais, não tem o devido processo legal. Não é conveniente voltar”, afirmou.

Tags: Bolívia
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