Países vizinhos ajudam nas buscas pelo avião militar chileno que desapareceu

Aeronave havia decolado na segunda-feira da cidade de Punta Arenas, sul do Chile.

Da redação, Estadão Conteúdo,
AP
Eduardo Mosqueira, comandante da 4.ª Brigada Aérea em Punta Arenas, fala à imprensa ao lado de mapa da área onde a aeronave perdeu contato.

As autoridades chilenas ampliaram as buscas pelo avião Hércules C-130, que desapareceu com 38 pessoas a bordo quando sobrevoava o Mar de Drake a caminho da Antártida. A aeronave havia decolado na segunda-feira (9) da cidade de Punta Arenas, sul do Chile. Além do Chile, países vizinhos ajudam nas buscas.

Argentina, Estados Unidos e Uruguai enviaram ajuda por mar e terra para tentarem encontrar o avião, classificado como "acidentado" desde a madrugada desta terça-feira (10). O Chile enviou dois navios de sua Marinha, um avião e sete caças para a operação, além de dois aviões de reconhecimento e um satélite que está funcionando com a finalidade de encontrar a aeronave desaparecida.

A Marinha do Brasil também está apoiando a operação de busca do Hércules C-130. Em comunicado divulgado nesta manhã, ela informou que o navio polar Almirante Maximiano foi deslocado e está a caminho do possível local da queda da aeronave chilena.

Desaparecido

O avião Hércules  C-130 decolou às 16h55 da base da Força Aérea do Chilena (FACH) Chabunco em Punta Arenas, rumo à base Eduardo Frei na Antártida, e perdeu comunicação por rádio às 18h13.

O avião foi declarado "acidentado" sete horas após o desaparecimento, informou a FACH, que indicou que o C-130 tinha combustível para permanecer no ar até 0h40 desta terça-feira. A aeronave tem quatro motores e pode voar mesmo que um deles falhe, disse o diretor de imprensa da Força Aérea chilena, general Francisco Torres, que acrescentou que as condições meteorológicas estavam boas e são descartadas como causas do acidente.

"Uma amerissagem (aterrissagem de emergência na água) é possível", afirmou Eduardo Mosqueira, comandante da 4.ª Brigada Aérea em Punta Arenas.

A bordo do Hércules C-130 viajavam 38 pessoas - 17 tripulantes e 21 passageiros -, incluindo 15 oficiais da FACH, 3 do Exército, 2 funcionários da empresa privada de construção Inproser e 1 funcionário da Universidade de Magallanes.

As pessoas viajavam para cumprir tarefas de apoio logístico na base Eduardo Frei, a maior do Chile na Antártida: a revisão do oleoduto flutuante de abastecimento de combustível da base e o tratamento anticorrosivo das instalações.

A FACH entrou em contato com as famílias das pessoas a bordo para informar sobre a situação. A aeronave perdeu comunicação quando sobrevoava o Mar de Drake, uma passagem marítima entre o continente americano e a Antártida, considerado pelos marinheiros como a mais tempestuosa do planeta.

"As condições meteorológicas para voar eram boas, por isso o voo foi planejado", disse Francisco Torres, diretor de operações da FACH.

De acordo com as autoridades, o piloto tinha ampla experiência e a aeronave se encontrava em boas condições técnicas.

Estado de alerta

A Força Aérea declarou "estado de alerta pela perda de comunicação" e ativou uma operação de resgate com aeronaves e navios da Marinha para encontrar "possíveis sobreviventes".

O avião tem sistema ELT que indica sua posição por satélite, mas durante a madrugada o dispositivo não permitiu localizar a aeronave.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, se declarou "consternado" com o desaparecimento do avião militar e anunciou que viajará a Punta Arenas ao lado dos ministros do Interior, Gonzalo Blumel, e da Defesa, Alberto Espina.

"Vamos com o ministro Blumel em direção a Cerrilos. (Estamos) consternados com o desaparecimento do avião Hércules da FACH com 38 passageiros que viajava rumo à Antártida de Punta Arenas. De lá, junto ao ministro da Defesa, monitoraremos busca e envio de equipes de resgate", escreveu o mandatário no Twitter.

Com a decisão, Piñera deixou de viajar para a Argentina, onde acompanharia nesta terça-feira a posse do presidente eleito do país vizinho, Alberto Fernández.

"O presidente Piñera decidiu não viajar para a mudança de comando da Argentina. Ele conversou com o presidente Fernández hoje pela manhã para explicar a situação que preocupa e aflige todos os chilenos hoje", a porta-voz do governo, Karla Rubilar em entrevista no Palácio de La Moneda, sede do governo.

O último acidente com essas características foi registrado em setembro de 2011, quando um avião militar com 21 pessoas a bordo caiu perto da ilha Robinson Crusoe, no Oceano Pacífico a 700 km do continente.

Tags: avião militar chileno desaparecido Mar de Drake
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