Milhares de libaneses vão a funeral de político anti-Síria, Antoine Ghanem

A morte do político cristão maronita aprofundou ainda mais a crise política e as tensões no Líbano.

BBC Brasil,
BBC Brasil
A morte de Ghanim aprofundou a crise política no Líbano.
Milhares de libaneses compareceram nesta sexta-feira (21) ao funeral do parlamentar anti-Síria Antoine Ghanem, morto em um atentado na quarta-feira nos arredores de Beirute. Outras cinco pessoas morreram e cerca de 70 ficaram feridas.

A morte do político cristão maronita, que pertencia ao partido Falange e era membro da coalização que se opõe à Síria (conhecida como Movimento 14 de Março), aprofundou ainda mais a crise política e as tensões no Líbano. Pessoas no funeral gritavam slogans contra a Síria e seu presidente, Bashar al Assad.

Segundo o ministro da Informação libanês, Ghazi Aridi, o “ato de terrorismo” não afetará a determinação do grupo. “Isso apenas reforça nossa determinação de acabar com o terrorismo de obter sucesso em nosso país”, disse ele.

O Hezbollah declarou que o ato de quarta-feira era “um grande atentado à segurança e estabilidade do Líbano”. As Nações Unidas e muitos governos estrangeiros também condenaram o atentado.

Nos últimos três anos, oito figuras públicas, entre políticos e jornalistas, conhecidas por sua posição anti-Síria foram assassinadas. Integrantes do governo acusam o governo sírio de estar pró trás dos assassinatos, cujo objetivo seria desestabilizar o Líbano. A acusação é veementemente negada por Damasco.

Eleições

O atentado contra Antoine Ghanem aconteceu em um momento delicado da vida política libanesa e deve agravar ainda mais a situação.

Na próxima terça-feira, o parlamento deve se reunir para eleger o novo presidente do país. O atual presidente, Emile Lahoud, é um aliado do regime de Damasco e não mantém um bom relacionamento com o atual primeiro-ministro, Fouad Siniora, que tem o apoio dos Estados Unidos e outros países ocidentais.

A oposição, liderada pelo Hezbollah e aliada à Síria, está boicotando o governo. O presidente do Parlamento, Nabih Berri, que faz parte da oposição, estabeleceu o dia 25 como a data para que os dois lados cheguem a um consenso em torno do nome do novo presidente.

Mas com o assassinato de Ghanem, líderes do governo já declararam que o diálogo acabou. O Movimento 14 de Março, que agora conta com 68 parlamentares de um total de 128, disse que levará adiante a eleição para presidente numa votação pela maioria simples. O cargo de presidente é sempre reservado para um cristão maronita, de acordo com a Constituição.

Conspiração

Walid Jumblatt, líder druso e membro do bloco 14 de Março, declarou que a Síria conspira contra o Líbano para reduzir o número de parlamentares de seu movimento. “Eles tentam dizer aos libaneses que não poderão escolher um presidente independente”.

Jumblatt teme que se um substituto para Lahoud não for escolhido até novembro, quando Lahoud deixar o cargo, o governo do primeiro-ministro possa nomear uma outra administração, o que segundo ele poderia levar à guerra civil.

Nas ruas a tensão é visível. As lojas têm fechado mais cedo e pessoas evitam ficar até mais tarde. Com a eleição chegando, a expectativa e o medo de uma nova guerra civil aumentam a cada dia.

O Ministério da Educação comunicou que todas as escolas e universidades, que iniciariam as aulas na segunda-feira, ficarão fechadas até depois da eleição.

Parte dos libaneses temem que, no caso de um conflito, o Hezbollah, segundo alguns melhor equipado e treinado que o próprio Exército, vença e que a Síria volte ao Líbano por causa de uma nova guerra interna.
A+ A-