Mais de 67 milhões de eleitores já votaram antecipadamente nos EUA

Candidatos Joe Biden e Donald Trump intensificaram uma agenda agressiva de campanha nos Estados-chave.

Da redação, Estadão Conteúdo,
AP
Eleitores votam antecipadamente no Brooklyn Museum, em Nova York: expectativa é de um recorde histórico de comparecimento.

A uma semana do dia da eleição presidencial nos Estados Unidos, 67,4 milhões de americanos já votaram de maneira antecipada. O número equivale a metade do total de eleitores que votaram na última eleição presidencial, em 2016, segundo dados do U.S. Election Project.

Com os americanos indo às urnas antes da votação em uma escala inédita, os candidatos Joe Biden e Donald Trump intensificaram uma agenda agressiva de campanha nos Estados-chave.

O aumento no voto antecipado - seja pela modalidade por correio ou presencial - já era esperado para esse ano, mas os números têm surpreendido analistas. A maioria dos Estados flexibilizou as exigências para admitir o voto antes do dia da votação, para evitar aglomerações em razão da pandemia.

Os eleitores democratas têm se mostrado mais propensos aos métodos de voto antecipado. Na Pensilvânia, um Estado crucial para a disputa, o número de eleitores registrados como democratas que já votaram é cerca de três vezes superior aos republicanos. Em outros Estados-chave, como a Flórida, no entanto, a divisão partidária é mais apertada. 

A maioria dos Estados estabeleceu formas de que eleitores depositem pessoalmente a cédula de voto pelo correio em urnas que podem ficar do lado de fora de uma seção de votação. Um dos locais a adotar esse método é a Geórgia.

A eleitora republicana Jane Ragsdale, de 77 anos, foi uma das que preferiu depositar pessoalmente a cédula. "Estou com medo de fraude. Por isso eu quis depositar pessoalmente. Não quis colocar no correio porque passaria por muitas mãos", afirmou a aposentada. Apesar de o voto pelo correio ser uma prática tradicionalmente adotada nos EUA, de maneira bipartidária, Trump tem alegado que o método pode levar a fraude. 

Cerca de metade dos votos antecipados foram registrados nos Estados-chave, onde as campanhas republicana e democrata mergulharam nos últimos dias. Biden esteve na Geórgia na terça-feira, um bastião conservador que está em disputa neste ano. Em meio à nova alta nos casos de covid-19.

A última vez que o Estado votou em um democrata foi em 1992. A agenda dos próximos compromissos do democrata incluirá Iowa, um Estado onde Trump ganhou com ampla folga de Hillary Clinton, mas que também tem se mostrado em disputa. 

O ex-presidente Barack Obama também fez comício na Flórida nesta terça-feira, depois de ter feito a primeira participação em eventos com eleitores na semana passada, na Pensilvânia. Os dois Estados são considerados o fiel da balança da disputa deste ano. 

Trump fez três paradas na terça-feira, na tentativa de energizar a base no Michigan, Wisconsin e Nebraska. O republicano venceu os dois primeiros Estados em 2016 por margens apertadas, mas Biden aparece na frente na pesquisa nos dois. 

A larga escala no voto antecipado não é suficiente para saber se o comparecimento na eleição deste ano será maior do que em eleições passadas ou se os eleitores apenas preferiram registrar o voto com antecedência.

Há lugares, no entanto, que os sinais são de que mais eleitores irão votar neste ano. No Texas, a sete dias da data para a eleição, o número de eleitores que já votaram equivale a mais de 80% dos total de votos registrados no Estado em 2016.

Fort Worth, no Estado, instalou um drive thru para que eleitores depositem as cédulas pelo correio pessoalmente, mas sem descer do carro. Desde que o sistema foi aberto, as filas de carros não param de chegar. 

Apesar de as pesquisas mostrarem que Trump conseguiu diminuir a vantagem de Biden em alguns Estados na última semana, como Texas, Flórida e Arizona, o democrata segue como preferido de maneira sólida e conquistou mais apoio em Michigan e Iowa. Na média das pesquisas nacionais, Biden passou de 10,7 pontos de diferença de Trump, há dez dias, para 9,4 pontos -- um patamar que ele tem sustentado desde junho. Na mesma época em 2016, Hillary tinha 4,5 pontos a mais do que Trump na média nacional, metade da vantagem registrada por Biden. 

Nos Estados chave também há diferenças entre a última eleição e a atual. O índice de aprovação de Hillary era baixo, assim como o de Trump. Isso significa que havia eleitores que não gostavam de nenhum dos dois candidatos. Já Biden tem mais de 50% das intenções de voto em três cruciais Estados do meio-oeste: Pensilvânia, Michigan e Wisconsin. Com menos eleitores indecisos nesta eleição, a chance de surpresas de última hora é menor. Na Pensilvânia, por exemplo, 11% dos eleitores estava indeciso a uma semana da eleição em 2016. Agora, o número de indecisos é menor do que 5%.

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