Lula propõe nova conferência global sobre o clima no Brasil

Presidente sugeriu que a nova reunião fosse realizada em 2012 e seja chamada Rio+20.

BBC Brasil,
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs nesta terça-feira (25) em Nova York, em seu discurso na Assembléia Geral da ONU, a realização no Brasil de uma nova conferência mundial para discutir as mudanças ambientais, nos moldes da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a chamada Rio 92.

O presidente sugeriu que a nova reunião fosse realizada em 2012 e seja chamada Rio+20.

No discurso, Lula afirmou que ''a eqüidade social é a melhor arma contra a degradação do planeta'' e comentou que o ônus do combate ao aquecimento global não pode se dar sobre os países em desenvolvimento.

Para o presidente, ''cada um de nós deve assumir sua parte nessa tarefa''. Mas acrescentou não ser ''admissível que o ônus maior da imprevidência dos privilegiados recaia sobre os despossuídos da terra''.

Lula afirmou que a comunidade internacional precisa ''reverter essa lógica aparentemente realista e sofisticada, mas, na verdade anacrônica, predatória e insensata, da multiplicação do lucro e da riqueza a qualquer preço''.

''Não nos iludamos - se o modelo de desenvolvimento global não for repensado, crescem os riscos de uma catástrofe ambiental e humana sem precedentes.''

Etanol

Lula também anunciou que no ano que vem o Brasil ser sede de outra reunião, esta sobre biocombustíveis, e que o país lançará em breve o seu Plano Nacional de Enfrentamento às Mudanças Climáticas.

Lula tratou ainda do programa brasileiro de etanol e comentou que ''os biocombustíveis podem ser muito mais do que uma alternativa de energia limpa''.

O presidente também refutou as críticas de que o etanol pode contribuir para a fome mundial, ''A experiência brasileira de três décadas mostra que a produção de biocombustíveis não afeta a segurança alimentar''.

De acordo com Lula, cabe às nações em desenvolvimento dar o exemplo. Ele voltou a fazer críticas aos países ricos, ao tratar de temas que vêm travando os avanços da Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial, como os subsídios oferecidos pelas nações mais desenvolvidas.

''São inaceitáveis os exorbitantes subsídios agrícolas, que enriquecem os ricos e empobrecem os pobres. É inadmissível um protecionismo que perpetua a dependência e o subdesenvolvimento''.

''O Brasil não poupará esforços para o êxito das negociações, que devem beneficiar sobretudo os países mais pobres''.

Bush e Doha

No discurso que realizou em seguida, o presidente americano, George W. Bush, também fez pronunciamentos sobre a Rodada de Doha.

De acordo com Bush, ''a comunidade internacional tem agora uma chance histórica de abrir mercados em todo o mundo, ao concluir uma rodada de Doha de sucesso''.

As maiores potências comerciais - inclusive os maiores países em desenvolvimento - tem uma responsabilidade especial em tomar as duras decisões políticas necessárias para reduzir barreiras comerciais'', disse Bush.
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