Kirchner quer investigação de massacre de policiais

A seis dias das eleições, o presidente argentino pressiona a Justiça para resolver caso. O chefe de Estado fez a nova advertência durante ato de campanha na cidade de Bolívar.

A apenas seis dias das eleições, o presidente argentino, Néstor Kirchner, pressionou a Justiça de seu país nesta segunda-feira (22) para que investigue a fundo as prováveis ligações políticas envolvendo o massacre de três policiais no dia 19 deste mês.

"Eu disse à Justiça e aos investigadores (policiais) que queremos a verdade neste caso, não queremos ver cúmplices ou inocentes presos!", disse Kirchner, reiterando a hipótese do governo de que os policiais teriam sido assassinados para que o governo fosse acusado de incompetência em relação à segurança.

O chefe de Estado fez a nova advertência durante um ato de campanha na cidade de Bolívar (sudoeste de Buenos Aires), onde dividiu a tribuna com a primeira-dama e candidata à presidência Cristina de Kirchner, em companhia do popular apresentador de televisão Marcelo Tinelli.

"Isso pode ter diferentes conotações, como a mafiosa ou a de atacar o que seria uma política de impunidade do governo em matéria de direitos humanos (pelos crimes da ditadura argentina de 1976 a 1983)", insistiu Kirchner.

Três oficiais da polícia foram assassinados a tiros na última sexta-feira (19) e depois violentamente esfaqueados em um posto de comunicação em Arana, perto da cidade de La Plata, a 60 Km de Buenos Aires. O incidente não tem indícios de roubo, segundo as primeiras investigações.

"A Justiça e os investigadores têm que atuar como é esperado. Não queremos meias verdades", reclamou Kirchner.

O massacre foi considerado por analistas políticos como um golpe na política de segurança oficial, mas a oposição também acusou o governo de tentar utilizar os fatos eleitoralmente.

O triplo assassinato obrigou o casal Kirchner a adiar para esta segunda-feira o ato em Bolívar, onde planejavam aparecer com Tinelli, cujos programas "Dançando por um sonho" e "Patinando por um sonho" lideram a audiência na TV argentina.

A primeira-dama lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições e, segundo estudos, poderia ganhar o pleito ainda no primeiro turno.


* Com informações do G1.
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