Iraque promete ajudar a Turquia a combater rebeldes do PKK

Tropas turcas patrulham a fronteira com o Iraque

BBC Brasil,
O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebar, disse nesta terça-feira que seu país vai ajudar a Turquia a lidar com a "ameaça" dos rebeldes curdos do PKK.

"Nós decidimos que a posição que devemos adotar é de lutar juntos contra o terrorismo onde quer que esteja e não vamos permitir que nenhum partido ou grupo, incluindo o PKK, envenene nossas relações bilaterais", disse Hoshyar Zebari

"Também assegurei o ministro de que o governo do Iraque vai ajudar a Turquia a combater essa ameaça", acrescentou.

Zebari fez a declaração após reunir-se com o ministro das Relações Exteriores turco, Ali Babacan.

A Turquia diz que quer usar a diplomacia para resolver a crise, mas está sendo pressionada pelo público e por grupos militares a usar a força contra integrantes do partido curdo PKK que entram em seu território pela fronteira entre os dois países.

"Nossa preferência é pela diplomacia, mas a opção militar, sem dúvida, é um método na luta contra o terrorismo", afirmou Babacan em Ancara, na noite de segunda-feira, antes do encontro.

Após se encontrar com as autoridades iraquianas em Bagdá, entre elas o primeiro-ministro Nouri Maliki, Babacan deve fazer um giro pelo Oriente Médio para esclarecer a posição turca.

Os Estados Unidos voltaram a pedir ao Iraque que tome medidas urgentes contra os insurgentes para afastar a ameaça de ataque turco no norte do país.

O representante da Turquia nas Nações Unidas, Baki Ilkin, advertiu que a paciência de seu país tem limite.

"O Iraque tem que fazer alguma coisa", afirmou Ilkin em entrevista à BBC. "Nós temos incursões em território turco. Nós não podemos pegá-los porque eles voltam imediatamente para o norte do Iraque."

"Se nós não podemos pegar estes (...) terroristas enquanto estão na Turquia, que opção nós temos?"

O PKK teria dito que capturou vários soldados turcos depois de um ataque no domingo que matou 12 militares.

O Exército turco confirmou apenas que oito soldados ainda estão desaparecidos.

Espera-se no Iraque que o PKK anuncie em breve um cessar-fogo, em Londres, nesta terça-feira, para conversações já agendadas.

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, se reúne com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Erdogan teria dito durante debate na Universidade de Oxford uma que ação militar do lado iraquiano da fronteira pode ser tomada "nos próximos dias" na falta dos "desdobramentos esperados".

Cooperação

Em conversa por vídeo entre a Casa Branca e Bagdá na segunda-feira, Maliki concordou com o presidente americano, George W. Bush, para "trabalharem juntos, em cooperação com o governo turco, para impedir que o PKK use qualquer parte do território iraquiano para planejar ou realizar ataques terroristas", informou nota oficial da Casa Branca.

"Nós queremos que o governo iraquiano tome medidas rapidamente para por fim às atividades do PKK", afirmou depois o porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto.

"Nós queremos ver ação militar mais ampla na fronteira norte", afirmou.

Bush também conversou com o presidente da Turquia, Abdullah Gul, informando-o de sua "profunda preocupação" com os recentes ataques do PKK.

Antes disso, o escritório do presidente do Iraque, Jalal Talabani (curdo), já havia dito que o PKK vai oferecer uma trégua em breve.

A emboscada de domingo do PKK perto da fronteira iraquiana inflamou a opinião pública na Turquia, onde meios de comunicação e líderes da oposição pediram ataque imediato contra os rebeldes.

Na semana passada, o Parlamento turco aprovou incursões no Iraque e até cem mil soldados, apoiados por tanques, caças e helicópteros, foram posicionados na fronteira.

Fontes do PKK disseram que as forças turcas bombardearam posições rebeldes depois da emboscada de domingo, mas não há notícia da entrada de militares turcos em território iraquiano.
A+ A-