Hamas lança foguetes contra Israel após novos confrontos na Esplanada das Mesquitas

Diante do aumento da violência, Muro das Lamentações é esvaziado e marcha nacional pelo 'Dia de Jerusalém' é cancelada; Conselho de Segurança da ONU deve se reunir para abordar a situação em Jerusalém.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Sputinik
Sete foguetes do Hamas foram disparados, mas um foi interceptado pelo sistema de defesa israelense "Cúpula de Ferro".

O Hamas, grupo radical islâmico que governa a Faixa de Gaza, disparou foguetes contra Israel no começo da noite (horário local) desta segunda-feira (10) após ter ameaçado as forças israelenses pelos recentes confrontos que ocorrem na Esplanada das Mesquitas de Jerusalém, cobrando a retirada dos soldados do local.

Sete foguetes foram disparados, mas um foi interceptado pelo sistema de defesa israelense "Cúpula de Ferro". Ao menos um dos lançados caiu em uma região montanhosa a oeste de Jerusalém, causando danos a casas, mas sem deixar feridos. Além disso, militantes atiraram um míssil antetanque contra um veículo israelense ao longo da fronteira com Gaza ferindo o motorista.

Durante a manhã, mais de 300 pessoas ficaram feridas, a maioria palestinos, em novos confrontos com policiais israelenses na Esplanada das Mesquitas, após um fim de semana de distúrbios na Cidade Sagrada. Nove agentes foram feridos, segundo a polícia israelense.

Diante do aumento da violência, a marcha nacional para celebrar o "Dia de Jerusalém", que marca a conquista da parte leste da cidade por Israel em 1967, foi cancelada, e o Muro das Lamentações, local sagrado do judaísmo e adjacente à Esplanada das Mesquitas, foi esvaziado.

O Conselho de Segurança da ONU, a pedido da Tunísia, deve se reunir ainda nesta segunda-feira para abordar a situação em Jerusalém.

Durante a manhã, centenas de palestinos atiraram projéteis contra as forças de segurança israelenses na Esplanada das Mesquitas, terceiro local sagrado do islamismo, que os judeus chamam de Monte do Templo. Os policiais responderam com balas de borracha.

A Autoridade Palestina de Mahmoud Abbas denunciou uma "agressão bárbara" por parte das forças israelenses.

O Crescente Vermelho palestino informou um balanço de pelo menos 305 palestinos feridos, e mais de 200 precisaram ser retirados em ambulâncias. A polícia israelense afirmou em um comunicado que trabalha para tentar frear a violência na esplanada, assim como em outros setores da Cidade Antiga de Jerusalém".

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Durante a tarde, a situação ficou mais tranquila na esplanada. O acesso foi limitado durante o dia a fiéis com mais de 40 anos.

No momento em que os apelos internacionais por calma se multiplicam, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, elogiou nesta segunda-feira a "firmeza" das forças de segurança para garantir a "estabilidade" em Jerusalém e criticou a cobertura "equivocada da imprensa internacional".

Milhares de israelenses participariam  em uma "marcha de Jerusalém" durante a noite na Cidade Antiga, que foi isolada pela polícia, mas o evento foi cancelado pelos organizadores. As forças de segurança pediram aos palestinos que não saiam de suas casas para evitar a violência.

Início dos confrontos

Na sexta-feira (7) à noite, mais de 200 pessoas ficaram feridas em confrontos entre a polícia e os palestinos na Esplanada das Mesquitas, nos distúrbios mais violentos desde 2017 neste local.

No sábado e domingo a calma retornou ao local, mas os confrontos aconteceram em outras áreas de Jerusalém Oriental, com um balanço de mais de 100 feridos, segundo o Crescente Vermelho. A polícia israelense também informou sobre feridos entre suas fileiras.

Uma das causas da tensão é o futuro de várias famílias palestinas do bairro de Sheikh Jarrah, ameaçadas de expulsão em benefício de colonos israelenses. A Suprema Corte israelense adiou uma audiência sobre o caso prevista para esta segunda-feira, anunciou o ministério da Justiça.

No domingo, Netanyahu advertiu que seu país "seguirá garantindo a liberdade de culto, mas não permitirá distúrbios violentos". "Vamos fazer a lei e a ordem serem respeitadas, com firmeza e responsabilidade", afirmou Netanyahu, que defendeu a ampliação das colônias judaicas na parte leste de Jerusalém, ocupada e anexada desde 1967 por Israel.

"Jerusalém é a capital de Israel. Assim como cada nação constrói sua capital, nós também temos o direito de construir em Jerusalém. Isto é o que temos feito e é o que continuaremos fazendo", completou.

A partir da Faixa de Gaza, balões incendiários haviam sido lançados no fim de semana contra Israel em apoio aos manifestantes de Jerusalém. O exército israelense anunciou os disparos de mais sete foguetes no domingo à noite e na madrugada de segunda-feira: dois foram interceptados pelo sistema antimísseis 'Cúpula de Ferro'.

Em represália, tanques israelenses atacaram postos militares do Hamas no sul da Faixa de Gaza, informou o Exército, que também fechou a passagem de fronteira de Erez, a única que permite aos moradores de Gaza entrar em Israel.

Pedidos de calma

O governo dos Estados Unidos, principal aliado de Israel, pediu às autoridades israelenses e palestinas que atuem para acabar com a violência e expressou preocupação com a "possível expulsão das famílias palestinas de Sheikh Jarrah".

Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão - países árabes que normalizaram as relações com Israel - expressaram "profunda preocupação" e pediram calma a Israel, assim como o Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, Rússia, ONU e UE), que pediu "moderação".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu a Israel a interrupção das demolições e expulsões, de acordo com suas obrigações estipuladas pelas leis internacionais.

O papa Francisco também pediu o fim da violência em Jerusalém.

A Turquia afirmou nesta segunda-feira que Israel "deve parar de atacar os palestinos em Jerusalén e impedir que os ocupantes e os colonos entrem na sagrada mesquita (de Al Aqsa)". / AFP e NYT

Tags: Hamas Israel Jerusalém
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