Grécia oferece um milhão de euros por informações sobre incendiários

Autoridades dizem ter certeza que fogo tem origem criminosa. Moradores procuraram refúgio nas margens de rios.

O governo grego anunciou uma recompensa de até um milhão de euros (cerca de R$ 2,6 milhões) por toda informação que leve à prisão dos responsáveis pelos incêndios que arrasam o país e que provocaram a morte até agora de 63 pessoas.

Esta é a resposta do executivo grego diante da certeza de que os incidentes têm origem criminosa. "Que tantos incêndios tenham começado ao mesmo tempo em tantos lugares, não pode ser coisa do acaso", declarou neste sábado o primeiro-ministro, Costas Caramanlis, numa mensagem à nação.

Desde sexta-feira, a polícia prendeu dez suspeitos de terem provocado os incêndios. As recompensas anunciadas vão desde 100.000 a um milhão de euros para quem revelar qualquer informação que permita a detenção dos piromaníacos.

O governo suspeita que por trás dos incêndios estejam os interesses imobiliários, mas advertiu que as zonas devastadas serão replantadas e nessas áreas não serão permitidas edificações. A construção civil é a segunda atividade econômica do país, atrás apenas do turismo.

As autoridades gregas anunciaram que o número de mortos aumentou para 63 depois de terem sido encontrados dois corpos em Agnanta, no Peloponeso.

Combate ao fogo

Atingidos por ventos de mais de 70 km/h, os gregos continuavam enfrentando os mais de 30 incêndios que ameaçavam a península do Peloponeso e a ilha de Eubea. A região concentra os principais focos, que até o momento não foram controlados, apesar da diminuição da temperatura prevista para esta segunda-feira.

Mais de 800 bombeiros gregos, ajudados por dezenas de colegas vindos de outros países, assim como 20 aviões e 19 helicópteros, lutavam contra as chamas no Peloponeso e em Phiotida, no centro do país, tentando apagar os novos focos iniciados no domingo. Quase 500 soldados também foram mobilizados.

Patrimônio ameaçado

Os bombeiros cercaram a cidade de Olímpia, berço dos Jogos Olímpicos, depois de terem conseguido evitar, no domingo, que o fogo devastasse uma das jóias do patrimônio histórico mundial.

Em algumas regiões de Olímpia, os moradores regam a terra com mangueiras de jardim numa tentativa desesperada de evitar o avanço das chamas.

Os habitantes locais e turistas dos 40 povoados foram retirados da zona e foram levados para as praias e as áreas costeiras para fugir do fogo. As autoridades prevêem a distribuição de barracas de campanha e prometeram ajuda financeira e alojamento às vítimas.

Política

O fogo também incendiou a vida política grega. A oposição socialista e a imprensa acusam o governo conservador de tentar esconder sua falta de previsão e desorganização com o combate ao fogo. Estão programadas para o próximo dia 16 de setembro as eleições legislativas antecipadas.

O governo grego decretou no sábado três dias de luto nacional e ainda estado de emergência em todo o país.

Jornais gregos também criticaram o governo, estampando manchetes como "Incompetente!", "Vergonha pelo colapso do Estado" e "Dor pelos Mortos e Raiva pela ausência de Estado".

A Grécia pediu ajuda de parceiros da União Européia. Aviões da França, Espanha e Itália estão participando das operações. Bombeiros do Chipre, da França e de Israel foram ajudar seus colegas gregos.

Fonte: G1.
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