Grécia oferece recompensa por incendiários

Há suspeitas de que os incêndios podem ter sido ateados como forma de burlar leis gregas que proíbem construções em áreas designadas como florestais.

BBC Brasil,
O governo da Grécia ofereceu recompensas de até um milhão de euros (cerca de R$ 2,6 milhões) para quem ajudar na captura dos incendiários que teriam provocado os incêndios florestais que mataram pelo menos 60 pessoas no país.

Novos focos continuaram surgindo - os bombeiros tiveram que combater 63 novos incêndios no domingo (26) - no que as autoridades qualificaram de "desastre sem precedentes".

Várias pessoas já foram presas por causa do fogo, de acordo com as autoridades.

As ruínas da antiga Olímpia, berço das Olimpíadas, também foram ameaçadas pelos incêndios, mas os bombeiros conseguiram manter o fogo à distância.

O ministro da Cultura, George Voulgarakis, foi a Olímpia, na península do Peloponeso, a oeste de Atenas, para supervisionar a operação de emergência.

"Todas as pessoas, os bombeiros, os policiais, os voluntários, combateram o fogo e o museu está como estava (antes), afirmou.

Nikos Diamandis, um porta-voz do corpo de bombeiros grego, disse à agência de notícias Associated Press: "Os incêndios estão ativos em mais da metade do país. Isto é, definitivamente, um desastre sem precedentes para a Grécia."

A recompensa, anunciada pelo governo grego é para qualquer pessoa que der informações que levem à prisão de um incendiário.

"A recompensa foi fixada entre 100 mil e um milhão de euros para cada incêndio deliberado, dependendo da ocorrência de mortes ou ferimentos graves, e das dimensões dos danos", disse o anúncio oficial.

Há suspeitas de que os incêndios podem ter sido ateados como forma de burlar leis gregas que proíbem construções em áreas designadas como florestais.

Olímpia
Na antiga Olímpia, as chamas chegaram perto do estádio olímpico original e queimaram o pátio do museu, que abriga um dos maiores acervos arqueológicos da Grécia.

Um porta-voz do corpo de bombeiros disse que seis aviões, dois helicópteros, 15 carros de bombeiros e 45 profissionais participaram da operação para proteger o local.

Focos de incêndio também devastaram vastas áreas da Grécia, afetando o Peloponeso e regiões em torno de Atenas e da ilha de Evia.

No domingo (26), cinco corpos foram encontrados em Evia, no norte da capital grega, Atenas.

A capital foi coberta de fumaça, que ocultou o sol. Vários focos de incêndio ameaçaram subúrbios da cidade.

Muita gente foi pega desprevenida pelo avanço das chamas. Os que demoraram a fugir estavam dentro de suas casas ou carros pelo fogo.

Pelo menos 39 pessoas morreram na região mais afetada, em volta da cidade de Zaharo, no oeste do Peloponeso, por causa de um incêndio iniciado na sexta-feira (24) e que se propagou rapidamente.

Outros quatro corpos foram descobertos na região central do Peloponeso, Arcádia.

Um homem de 65 anos foi acusado de ato incendiário e assassinato ligado a um incêndio que matou seis pessoas em Areopolis, no sul do país.

Dois jovens também foram detidos por suspeita de terem iniciado um incêndio na cidade de Kavala, no norte da Grécia.

O primeiro-ministro da Grécia, Costas Karamanlis, declarou estado de emergência nacional e disse que o país tem que "mobilizar todos os meios e forças para enfrentar o desastre".

Equipes de emergência e aviões de combate ao fogo de outros países da União Européia se uniram à batalha contra os incêndios, e mais ajuda é esperada de países fora do bloco.
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