Google quer regras globais para proteger dados online

O conselheiro de privacidade da Google, Peter Fleischer, apresentou a proposta nesta sexta-feira (14) em uma conferência da Unesco.

BBC Brasil,
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Muitos países nem têm leis que regulam a privacidade dos dados.
A Google, uma das maiores empresas mundiais da área da internet, quer que sejam adotadas regras para que informações confidenciais fornecidas pelos usuários da rede aos sites sejam protegidas da mesma forma em todo o mundo.

O conselheiro de privacidade da Google, Peter Fleischer, apresentou a proposta nesta sexta-feira (14) em uma conferência da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) na França.

Ele pediu à agência da ONU que governantes e membros do mundo empresarial ajudem a proteger a privacidade dos internautas antes que a rede sofra uma crise de confiança.

Usuários de internet de todo o mundo fornecem aos diversos sites, inclusive os ligados à Google, informações pessoais como números de telefone e de cartões de crédito, fotos e e-mails, que podem ser usadas para cometer crimes.

Mas Fleischer acredita que muitos países não oferecem a segurança necessária para os usuários.

Regras diferentes

Na Europa, por exemplo, há regras que protegem a confidencialidade dos dados, mas elas foram estabelecidas em 1995 – antes do uso comercial da internet se popularizar.

Por outro lado, nos Estados Unidos, não há leis nacionais de garantem a privacidade dos internautas, mas cada Estado ou setor comercial pode estabelecer suas regras.

No Brasil, não há nenhuma lei específica protegendo a privacidade dos usuários da web, assegurando a confidencialidade de suas informações pessoais, mas há projetos a respeito em tramitação no Congresso.

“Os países que têm regimes de proteção à privacidade, que não são a maioria, seguem modelos diferentes”, disse Fleischer. “Os cidadãos perdem com isso, porque não sabem ao certo quais direitos têm.”

A situação se complica mais devido ao fato de que “cada vez que uma pessoa usa um cartão de crédito (na internet), a informação pode atravessar seis ou sete fronteiras nacionais”.

O pedido da Google acontece três meses depois da divulgação de um ranking de política de privacidade elaborado pela organização Privacy International em que a gigante da internet ficou em último lugar.

A Google - que controla a maior página de buscas da internet e o site de relacionamentos Orkut -, foi a única empresa qualificada pela ONG como "hostil" à privacidade no ranking, que lista várias companhias e sites da internet de acordo com a forma como eles lidam com dados pessoais.
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