França planeja um terceiro bloqueio nacional devido a sobrecarga em hospitais

Presidente Emmanuel Macron deve confirmar novas restrições em discurso nesta quarta-feira, em razão do aumento drástico de infecções em todo o país.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Reuters
Profissional da saúde coloca vestimentas antes de atender pacientes com covid-19 em hospital de Amiens, na França.

SELO-CORONA-100Mais de um ano depois de o governo da França ordenar seu primeiro bloqueio nacional para combater a pandemia de covid-19, as autoridades do país agora parecem ter pouca escolha a não ser fazer o mesmo, à medida que as infecções aumentam drasticamente em todo o país e hospitais em Paris estão superlotados.

O presidente Emmanuel Macron fará um discurso ao país nesta quarta-feira (31) e deve anunciar novas restrições, possivelmente trazendo um terceiro bloqueio nacional, que ele há muito tenta evitar.

A França relatou na terça-feira mais de 5.000 pessoas em unidades de terapia intensiva pela primeira vez desde abril passado, com a falta de leitos em hospitais nas áreas mais afetadas se agravando. E a lenta vacinação no país não evitou uma explosão de infecções, já que uma média de cerca de 37.000 novos casos diários foram relatados na semana passada.

"As perspectivas são piores do que assustadoras", disse Jean-Michel Constantin, chefe da unidade de terapia intensiva do hospital Pitié-Salpêtrière em Paris, à rádio RMC na segunda-feira.

"Já estamos no nível da segunda onda e rapidamente chegando perto do limiar da primeira onda", disse ele. "Abril vai ser terrível."

Novas restrições foram adotadas em nível regional em meados de março em uma tentativa de evitar uma terceira onda de infecções, afetando cerca de um terço da população, incluindo a região de Paris.

As regras forçaram o fechamento de empresas consideradas não essenciais, ordenaram aos residentes que limitassem suas atividades ao ar livre a locais a menos de dez quilômetros de suas casas e proibiram viagens de ida e volta para regiões onde as infecções estavam aumentando.

Mas, à medida que as infecções seguiam aumentando, a pressão cresceu sobre Macron para implementar medidas mais duras.

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Em artigo no Le Journal du Dimanche, 41 médicos da região de Paris alertaram que os hospitais podem ficar tão sobrecarregados em breve que terão de escolher quais pacientes tentarão salvar.

"Todos os indicadores mostram que as medidas atuais são e serão insuficientes para reverter rapidamente a alarmante curva de contaminações", escreveram.

Macron, no mesmo jornal, disse que "analisaria a eficácia das medidas de contenção nos próximos dias e tomaremos outras, se necessário".

No final de janeiro, Macron fez uma aposta calculada de resistir a um novo bloqueio nacional, na esperança de que seu governo pudesse apertar as restrições apenas o suficiente para combater o aumento das infecções.

Essa estratégia parecia estar funcionando até meados de março, quando as infecções aumentaram drasticamente e a campanha de vacinação não ganhou velocidade, em meio à confusão da União Europeia com a AstraZeneca.

As autoridades de saúde disseram na terça-feira que cerca de 8,3 milhões de pessoas receberam pelo menos uma primeira injeção da vacina contra o coronavírus, ou cerca de 12% da população total. O governo planeja vacinar 10 milhões de pessoas até meados de abril e 30 milhões até o verão.

Mas a França ainda está atrás de alguns outros países ocidentais em sua campanha de vacinação. O Reino Unido vacinou 46% de sua população e os Estados Unidos 29%, de acordo com dados da Universidade de Oxford.

Muitos médicos e epidemiologistas estão pedindo um bloqueio comparável ao do início de 2020, quando as autoridades aplicaram algumas das restrições mais rígidas da pandemia de covid-19 na Europa, ordenando que as pessoas permanecessem dentro de casa, exceto para necessidades essenciais.

As escolas, que a França manteve abertas desde junho passado, ao contrário de muitos de seus vizinhos, também podem ser forçadas a fechar, já que o vírus está se espalhando cada vez mais nas salas de aula.

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