Ernesto Araújo vai esclarecer no Congresso visita de Pompeo ao Brasil

Visita do secretário de Estado americano já havia sido questionada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, na sexta-feira.

Da redação, Estadão Conteúdo,
EFE
Mike Pompeo (E) e Ernesto Araújo concedem entrevista coletiva em Pacaraima, durante visita do secretário de Estado dos EUA.
Após uma tentativa de barrar a votação de 33 indicações do presidente Jair Bolsonaro para embaixadas brasileiras, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta segunda-feira (21) um convite para o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, esclarecer a visita do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, a Roraima, na última sexta-feira (18).

Em nota divulgada no mesmo dia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), criticou a visita, feita a 46 dias da eleição americana.
Nas três horas em que esteve em Boa Vista, ao lado de Araújo, Pompeo conheceu as instalações da Operação Acolhida, que recebe imigrantes venezuelanos, e endureceu o discurso contra o presidente Nicolás Maduro, a quem chamou de "narcotraficante". Segundo Maia,  a recepção a Pompeu "afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa".

De acordo com integrantes da comissão do Senado, Araújo já aceitou o convite e participará de uma audiência pública presencial do colegiado na próxima quinta-feira, 23, às 10 horas.

O convite foi apresentado pelo senador Telmário Mota (PROS), que ameaçava barrar as sabatinas marcadas para esta segunda-feira, 21, em função da visita do secretário norte-americano.

O motivo da viagem de Pompeo foi pressionar o governo de Maduro e demonstrar o alinhamento dos EUA com os países vizinhos da Venezuela. Em Boa Vista, Pompeo se referiu a Maduro como “traficante de drogas”, lembrando as acusações que os EUA fizeram contra o chavista em março.

Mais cedo, ao ser questionado sobre o assunto, o vice-presidente Hamilton Mourão minimizou as críticas em relação à visita do americano.  "Eu respeito as críticas das pessoas, dos ex-chanceleres, do presidente da Câmara, mas eu não vi nada demais nisso aí", disse Mourão ao chegar no Palácio do Planalto nesta segunda-feira, 21. "Nós temos um alinhamento com os Estados Unidos desde a época da nossa independência", afirmou o vice-presidente.

Segundo Mourão, Pompeo foi visitar uma operação do Brasil realizada pelo Exército para acolher refugiados venezuelanos. Para o vice, a visita de Pompeo não traz nenhuma vantagem para o presidente Donald Trump na corrida eleitoral dos EUA.

"A campanha política deles tem que ser feita lá dentro dos Estados Unidos. Acho que isso (fazer a relação entre uma coisa e outra) é desconhecer os Estados Unidos e até não respeitar o povo americano, como se o povo americano fosse gado", declarou o vice-presidente brasileiro.
Após a aprovação do convite, a comissão do Senado analisa nesta segunda-feira a indicação de embaixadores feitas por Bolsonaro que vão atuar nas representações brasileiras no exterior. As nomeações dependem de aprovação do Senado. Depois da comissão, ainda será necessária a votação pelo plenário, o que deve ocorrer até sexta-feira (25).
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