Bocas-de-urna indicam vitória de Cristina Kirchner no 1º turno

Os primeiros resultados oficiais só começarão a ser divulgados a partir das 21h (22h em Brasília), uma hora a mais que o previsto inicialmente.

BBC Brasil,
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Cristina Kirchner deve vencer já no primeiro turno.
Os primeiros resultados de boca de urna das eleições presidenciais argentinas deste domingo (28) indicam que a primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner, da Frente para a Vitória, deve vencer já no primeiro turno. 

Segundo dados divulgados pelo Canal 13 de televisão e pela rede Todo Noticias, Cristina teria recebido 46,3% dos votos, Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, 23,7%, Roberto Lavagna, da UNA (Uma Nação Avançada), 13,1% e Alberto Rodríguez Saá, da Frejuli, 7,5%.

Assim que os dados foram divulgados houve comemoração na base de Cristina, num hotel, na capital argentina.

Do lado de fora, seguidores de Cristina e do presidente Nestor Kirchner ergueram bandeiras e cantaram músicas de apoio ao casal presidencial.

Se os números forem confirmados nas urnas, Cristina receberá a faixa presidencial do marido, o presidente Nestor Kirchner, no próximo dia 10 de dezembro.

Os primeiros resultados oficiais só começarão a ser divulgados a partir das 21h (22h em Brasília), uma hora a mais que o previsto inicialmente.

Horário estendido

O horário oficial de votação foi estendido em uma hora, mas por causa de problemas de comunicação entre a Câmara Eleitoral Nacional, tribunais de justiça estaduais e o Ministério do Interior, algumas urnas foram fechadas na hora original, 18h00, como na província de Jujuy, norte do país.

"É a primeira vez desde a volta da democracia, em 1983, que o fim da eleição é atrasado em uma hora", informaram as emissoras de televisão América, Canal 5 e Todo Noticias.

No fim do dia, muitos eleitores ainda formavam longas filas para votar. A juíza federal Maria Servini de Cubria disse que muita gente deixou para votar "na última hora", temendo ser convocado para trabalhar como mesário.

Muitos dos que foram convocados para ser mesário não compareceram, mesmo sob a ameaça de serem presos como manda o código eleitoral.

Pouco antes do fechamento das urnas, os principais candidatos da oposição entraram com uma reclamação oficial de "fraude" na Câmara Nacional Eleitoral, como informaram Patricia Bullrich, da Coalizão Cívica, e Esteban Bullrich, da frente Recrear-PRO.

Eles reclamaram contra a falta de cédulas de suas diferentes chapas em diversos pontos do país.

Sumiço de cédulas

A denúncia foi feita pelos candidatos Elisa Carrió, Roberto Lavagna, Alberto Rodríguez Saá, Ricardo López Murphy, da Recrear-PRO, e Pino Solanas, do Projeto Sul.

"Muitas cédulas foram roubadas, impedindo os direitos dos argentinos. Isso é inédito na Argentina", reclamou Héctor Maya, candidato a vice-presidente de Rodríguez Saá, diante das câmeras de televisão.

Na Argentina, ao entrar na cabine eleitoral, o eleitor encontra diversas pilhas com cédulas dos candidatos de diferentes partidos para votar.

Eleitores de diferentes pontos do país, como Buenos Aires e Mendoza, também reclamaram da falta de cédulas de seus candidatos em ligações para as principais emissoras de rádio do país, como Diez, Mitre e America.

O ministro do Interior, Aníbal Fernández, disse que a falta de cédulas não é responsabilidade do governo.

Quando faltava pouco mais de uma hora para o fechamento das urnas, antes da mudança de horário, o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, Alejandro Tulio, informava que pouco mais de 50% dos eleitores tinham votado.

Naquele momento, Tulio já temia o atraso no início da apuração oficial.

Na hora de votar, em Rio Gallegos, na província de Santa Cruz, na Patagônia, a primeira-dama e senadora, Cristina Fernández de Kirchner, líder nas pesquisas de opinião, ressaltou a importância da democracia.

"É muito importante que cada cidadão argentino possa decididir em que modelo quer viver. Eu sou de uma geração que não podia votar, por isso hoje é um dia muito importante”, disse Cristina diante das câmeras de televisão.
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