Bispo 'aprovado pelo Papa' é ordenado em Pequim

Joseph Li Shan, de 42 anos, foi ordenado bispo de Pequim em uma cerimônia acompanhada por centenas de fiéis na Catedral da Imaculada Conceição.

BBC Brasil,
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Há décadas o Vaticano e o Partido Comunista da China disputam o controle da Igreja Católica no país.
O primeiro bispo da Igreja Católica na China a receber uma implícita aprovação prévia do Papa em mais de 50 anos foi consagrado nesta sexta-feira em uma cerimônia em Pequim.

Joseph Li Shan, de 42 anos, foi ordenado bispo de Pequim em uma cerimônia acompanhada por centenas de fiéis na Catedral da Imaculada Conceição, perto da Praça da Paz Celestial, na capital chinesa.

A indicação não recebeu uma aprovação formal do papa. Mas quando o nome de Li Shan foi anunciado, em julho, o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, disse que ele era uma escolha muito boa e apropriada e que sua indicação era um "sinal positivo".

Li Shan substitui Fu Tieshan, que morreu neste ano. Tieshan havia sido indicado em 1979 pela Igreja Católica da China - a Igreja Patriótica, que é controlada pelo governo - sem que o Vaticano fosse consultado.

Relações tensas

Há décadas o Vaticano e o Partido Comunista da China disputam o controle da Igreja Católica no país.

As relações diplomáticas entre a China e a Santa Sé estão desgastadas desde 1951, quando o governo chinês se afastou de Roma em reação ao fato de o Vaticano reconhecer Taiwan (que a China considera parte de seu território).

A China insiste que a Igreja Patriótica tem o direito de indicar bispos sem a aprovação de Roma.

Estima-se que vivam na China 5 milhões de católicos oficiais, que pertencem à Igreja Patriótica, e outros 7 milhões seguidores de uma Igreja Católica que continua fiel à Santa Sé e funciona clandestinamente.

No ano passado, o Vaticano excomungou dois bispos por terem sido ordenados ilegalmente.

Reaproximação

No entanto, o Papa Bento 16 tem buscado melhorar as relações entre os dois lados.

Em junho, o papa enviou uma carta aos católicos chineses falando em reconciliação.

Na carta, Bento 16 disse que o Vaticano está aberto a negociações para reatar os laços diplomáticos e lembrou que Roma já aceitou a autoridade de muitos bispos indicados unilateralmente pela Igreja de Pequim.

Mas, segundo o correspondente da BBC em Roma, David Willey, no ano passado também houve tensões entre o Vaticano e Pequim.

O Papa expressou "profundo pesar" pela decisão do governo chinês de indicar novos bispos sem consultar Roma, enquanto Pequim acusou o Vaticano de se intrometer em assuntos internos da China.
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