Biden escolhe Kamala Harris como vice, primeira mulher negra a concorrer

Senadora pela Califórnia foi rival e crítica de Biden ao disputar nomeação pelo democrata em 2019.

Da redação,
Lucas Jackson / Reuters
Joe Biden e Kamala Harris antes de debate entre pré-candidatos democratas em Detroit.
O candidato democrata Joe Biden escolheu a senadora Kamala Harris como a vice de sua chapa na disputa pela presidência americana. Se o democrata ganhar a eleição em novembro, Kamala será a primeira mulher e primeira negra a exercer o papel de vice-presidente dos Estados Unidos. A escolha é considerada histórica.

A senadora pela Califórnia, de 55 anos, foi uma rival e crítica de Biden ao disputar a nomeação do partido democrata no ano passado, mas se aproximou do ex-vice-presidente nos últimos meses e seu nome ganhou força com o surgimento dos protestos anti-racismo no país em junho. Biden foi vice-presidente no governo de Barack Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, e disse que considerava escolher uma candidata negra como vice.

Obama elogiou Kamala em um comunicado postado no Twitter: "Ela passou sua carreira defendendo nossa Constituição e lutando por pessoas que precisam de um tratamento justo. Este é um bom dia para nosso país. Agora vamos ganhar isso".

Também pelo Twitter, Kamala disse que se sentia honrada por ser escolhida como candidata a vice de Biden e fará o que for necessário para torná-lo o comandante-chefe dos EUA. "Joe Biden pode unificar o povo americano porque ele passou sua vida lutando por nós. E, como presidente, ele construirá uma América que vive de acordo com nossos ideais."

Kamala já foi criticada pela ala progressista do partido, pelo seu histórico de atuação quando foi procuradora do Estado da Califórnia.  Ela apareceu, no entanto, como uma defensora dos protestos tendo ido pessoalmente a uma manifestação em frente à Casa Branca após o assassinato de George Floyd, o que passou a ser um ponto forte mesmo entre a ala à esquerda.

Com a escolha, Biden mantém a percepção de que fará uma campanha de centro, já que Kamala é vista como uma candidata pragmática e moderada.

Ao menos 11 virtuais candidatas tiveram as fichas analisadas pelo comitê de campanha de Biden. Depois deavisar seus assessores que havia finalmente tomado a decisão, Biden passou a tarde telefonando para as cotadas pela campanha para informar que não haviam sido escolhidas.

Um pouco antes do anúncio desta tarde, um dos assessores de Biden se antecipou a críticas de Trump e disse que a campanha republicana já estava desacreditada por tentar identificar como "radical" a vice, antes mesmo de saber quem seria a escolhida. O presidente tem tentado vincular Biden à ideia de um candidato radical, mas o ex-vice-presidente é do espectro moderado do partido democrata.

Logo após a divulgação da escolha de Biden, Trump publicou um vídeo no Twitter dizendo que o democrata, "que não é muito esperto", "abraçou o radicalismo de esquerda".

A escolha precede a convenção democrata, que começa na próxima segunda-feira e, pela primeira vez, será feita de maneira virtual em razão da pandemia de coronavírus. Pela manhã, o partido democrata divulgou a ordem dos oradores na convenção, mas Susan Rice não estava entre as selecionadas, o que fez crescer a especulação de que ela poderia ser a escolhida por Biden.

Joe Biden tem 77 anos e faz aniversário em novembro. Se eleito, será o presidente americano mais velho a tomar posse em janeiro, um fato que tornou a decisão sobre a vice ainda mais importante por três fatores. O primeiro é o risco de Biden precisar se ausentar da Casa Branca, ainda que temporariamente, para algum tratamento médico, a despeito de estar em boas condições de saúde. Ainda que não seja o caso, ele é visto como um candidato a um só mandato -- o que leva a vice a ser imediatamente credenciada como virtual candidata democrata a presidente em 2022.
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