Guararapes demite 300 funcionários

Empresa alega que ajustes são normais nessa época do ano e necessários para o bom andamento da indústria.

Marília Rocha,
A indústria têxtil Guararapes confirmou na manhã dessa sexta-feira (27) a demissão de 300 costureiras que faziam parte do quadro de funcionários da empresa. A diretora de Recursos Humanos da empresa, Suzanna Rocha, alega normalidade nas demissões nessa época do ano, representando ajustes na empresa.

“O que está acontecendo é normal para uma empresa como a Guararapes, que tem mais de 15 mil funcionários. Estamos apenas enxugando o quadro de funcionários no início do ano, atitude normal de qualquer empresa”, defende a diretora.

Segundo ela, as demissões têm número insignificante para a empresa e não possuem qualquer relação com a crise financeira internacional. “Não estamos diminuindo a produção. Ao contrário, estamos melhorando a qualidade dos funcionários”, enfatiza.

No outro lado da moeda, os funcionários confirmam a normalidade no período do ano, mas esperam ansiosos pelas novas contratações. “De janeiro até agora foram demitidas 300 costureiras, mas estamos esperando que na próxima semana tudo volte ao normal”, afirma Maria dos Navegantes, presidente do Sindicato das Costureiras.

Ela afirma que todos os anos, em março, a produção volta ao normal. “Em março, a empresa dá continuidade à produção e acaba contratando mais costureiras”, declara a presidente do Sindicato das Costureiras.

A presidente do Sindicato alega ainda que nos anos anteriores, o índice era bem maior, de 700 a 800 demissões. “Ano passado algumas empresas até fecharam e as demissões foram muito maiores”, declara.

Perguntada pelos motivos alegados pela empresa para as costureiras demitidas, Maria dos Navegantes disse que, em conversa com elas, a empresa justificou ajuste no quadro de funcionários. “Algumas costureiras estavam perto da aposentadoria, faltavam muito ou foram trabalhar em outras áreas”, explica.

Quanto à crise financeira, a presidente do Sindicato afirma: “Não vejo como um problema, eu acredito que as pequenas, médias e grandes empresas continuam com o mesmo ritmo. A crise está passando bem longe da gente."

O Sindicato das Costureiras também representa os alfaiates e os trabalhadores na indústria de confecções e roupas do Rio Grande do Norte.
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