Argentinos escolhem seu presidente

O Ministério do Interior da Argentina informa que os resultados provisórios estarão disponíveis a partir das 21h, na internet.

AgÊncia Brasil,
BBC Brasil
Os argentinos votam para presidente, vice-presidente e governadores de oito províncias.
Buenos Aires (Argentina) - Chega a hora de os argentinos escolherem se vão manter o projeto kirchnerista no comando do país ou optar por outra via. A eleição presidencial teve início às 8h deste domingo (28) e toérmino está previsto para as 18h, pelo horário local (uma hora abaixo do fuso de Brasília). O governo prevê divulgar um resultado preliminar três horas depois de fechadas as urnas.

A candidata do governo pela coalizão Frente para a Vitória, Cristina Kirchner, chega ao dia decisivo respaldada por ampla vantagem apontada pelas pesquisas de intenção de voto. Das nove divulgadas na última quinta-feira (25), último dia em que a lei o permitia, oito a apontaram como vencedora no primeiro turno.

Dos outros 13 candidatos, Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, e Roberto Lavagna, da coligação Uma Nação Avançada (UNA), são apontados como únicas ameaças em potencial, especialmente a primeira. No terceiro escalão, aparecem Alberto Rodriguez Saá, da Frejuli, e Ricardo Lopez Murphy, da Recrear.

Cristina vence no primeiro turno se obtiver 45% dos votos, ou 40% desde que abra vantagem de pelo menos 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado.

O analista político argentino Ricardo Rouvier deu a seguinte resposta quando questionado sobre a razão de as pesquisas não fazerem prognósticos de segundo turno: "Se houver segundo turno, nós, consultores, podemos nos suicidar coletivamente. O Tortoni é um lugar turístico, charmoso para terminarmos nossa existência". Referia-se ao local da entrevista coletiva, um tradicional café de Buenos Aires. A seu lado, outros analistas riram e fizeram gesto de que concordaram.

Cristina tem sua base de apoio concentrada especialmente em regiões onde vivem cidadãos de renda mais baixa, como os arredores de Buenos Aires e o interior do país, especialmente a Região Norte. Na capital do país, por outro lado, sofre rejeição maior e pode perder, apontam as pesquisas. Tradicionalmente, presidentes são eleitos na Argentina sem ganhar em Buenos Aires.

São 27,1 milhões de eleitores, numa população de cerca de 40 milhões de habitantes. O voto é obrigatório para os maiores de 18 anos e opcional para quem já passou dos 70 e para quem está a mais de 500 quilômetros de distância do domicílio eleitoral. Senadores, deputados, oito governadores e prefeitos de diversas cidades também serão eleitos além do presidente, ou da presidenta.

Kirchnerista convicta, Angélica Souza, 60 anos, esteve hoje na repartição pública chamada Registro Nacional de las Personas, que emite documentos de identidade. Queria pegar o seu para não perder a chance de votar em Cristina. "É a segunda vez que vamos ser governados por uma mulher. Com Isabel [Maria Estela Martinez, a Isabelita Perón, que governou o país de 1974 a 1976], foi ruim. Agora vai ser bom". Isabelita foi deposta pelos militares.

O carpinteiro Damian Rivera, que nos fins de semana vende espelhos, caixas e outras manufaturas num parque de Buenos Aires para ganhar uns trocos a mais e sustentar a filha pequena e a outra que está para nascer, descreve um sentimento oposto em relação ao ato cívico de amanhã.

"Vou votar porque sou obrigado. Nós somos um país com políticos que fazem política para o bolso deles", disse o pai de família de 36 anos, que manifesta a intenção de votar, por exclusão, no Partido Obrero, cujo candidato é Nestor Pitrola.

Nascido e criado em Buenos Aires, o taxista Jorge Gonzalez, 50 anos, mostra-se no auge da revolta contra a atual situação de seu país, contra o governo. Como praticamente todas as pessoas ouvidas pela Agência Brasil desde quarta-feira, quando teve início a cobertura in loco desta disputa, Gonzalez anda indignado com a violência. "Está cheio de droga, seqüestro...". Ele se disse indeciso sobre seu voto, assim como cerca de 15% dos argentinos.

Os demais candidatos, além dos já mencionados, são: Fernando "Pino" Solanas, Gustavo Breld Obeid, Jorge Sobisch, José Montes, Luis Ammann, Raúl Castells, Vilma Ripoll e José Montes.

O Ministério do Interior da Argentina informa que os resultados provisórios estarão disponíveis a partir das 21h, na internet.
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