Após sete anos, Fujimori volta ao Peru para enfrentar justiça

No Peru, Fujimori vai ser julgado por corrupção e também por ligação com crimes cometidos por esquadrões da morte, acusados de matar civis.

BBC Brasil,
O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori voltou neste sábado (22) ao país que governou durante dez anos e que deixou em novembro de 2000, em meio a um escândalo de corrupção.
No Peru, Fujimori vai ser julgado por corrupção e também por ligação com crimes cometidos por esquadrões da morte, acusados de matar civis.

Ele responderá a duas acusações de violação dos direitos humanos e cinco de corrupção – todas relativas ao período em que foi presidente (1990-2000) – e poderá ser condenado a até 30 anos de reclusão.

A aeronave militar que transportou o ex-presidente decolou da capital do Chile, Santiago, pouco antes das 9h, hora local (8h em Brasília) e, depois de uma parada na cidade chilena de Antofagasta, aterrizou em Tacna, no sul do Peru.

Segundo o jornal peruano El Comércio, o ex-presidente será agora transportando à capital do país, Lima, onde permanecerá detido aguardando julgamento.

Seguindo o plano
Fujimori permaneceu detido no Chile desde 2005 e, na sexta-feira (21), cinco juízes da Suprema Corte chilena determinaram sua extradição.

A previsão era de que o ex-presidente fosse transferido para uma prisão de segurança máxima na capital peruana.

De acordo com Fujimori, seus planos saíram como ele previa. "Antes mesmo de vir para o Chile, escrevi o livro Fujimori Volta, em que estabeleço qual é o meu plano", declarou.

"Meu objetivo é me reencontrar com meu povo", afirmou à emissora de rádio peruana Radioprogramas.

"Eu tive que fazer uma escala no Chile para voltar mais tranqüilo ao meu país."

Fujimori disse que seu cálculo era de que seria extraditado por quatro acusações, mas que está "tranqüilo" com os processos que enfrentará em seu país.

O ex-presidente costuma dizer que derrubou a hiperinflação e a guerrilha no país.

Para não ser preso, o ex-líder, que também tem cidadania japonesa, morou cinco anos no Japão, antes de viajar para o Chile e ser detido em novembro de 2005.
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