Após denúncia de assédio, prefeito de Seul é encontrado morto

Park Won-soon tinha 64 anos; polícia investiga causa exata da morte.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Jeon Heon-Kyun/EFE
Prefeito Park Won-soon era visto como um potencial candidato à presidência pelos liberais nas eleições de 2022.

A polícia da Coreia do Sul confirmou nesta quinta-feira (9), sexta-feira na hora local, ter encontrado o corpo do prefeito de Seul, Park Won-soon, cujo desaparecimento havia sido relatado por sua família horas antes, informou a agência de notícias Yonhap.  A polícia informou que está investigando a causa exata da morte, embora tudo indique que o prefeito tenha tirado a própria vida.

Como prefeito de uma cidade de quase 10 milhões de habitantes, Park era o segundo político mais influente do país, atrás apenas do presidente, Moon Jae-in, e desempenhou um papel de destaque na resposta à pandemia de coronavírus. Ele era visto como um potencial candidato à presidência pelos liberais nas eleições de 2022.

Seu desaparecimento ocorreu um dia depois de uma secretária no gabinete do prefeito denunciar à polícia que ele a assediava sexualmente desde 2017, disseram duas estações de televisão de Seul, atribuindo as informações a fontes policiais não identificadas.

Busca ampla

Um agente da polícia explicou que o corpo de Park, de 64 anos, foi encontrado no Monte Bukak, no Distrito de Jogno, norte da capital sul-coreana e perto de onde ele foi visto pela última vez depois de sair de casa nesta quinta-feira. Horas antes, a família havia relatado seu desaparecimento, afirmando que ele deixou "uma carta que se assemelhava a um testamento" e desligou seu celular.

Cerca de 580 policiais sul-coreanos procuraram pelo prefeito. As autoridades usaram cães farejadores e drones para realizar as buscas na capital sul-coreana.  A Agência de Polícia Metropolitana de Seul informou que o sinal telefônico foi detectado pela última vez perto de Sungbuk-dong, também no norte da capital.

Park deixou a residência oficial por volta das 10h40 (hora local) usando um chapéu preto e uma mochila após cancelar uma reunião de política marcada para a manhã de quinta-feira.

Ativista e de grande popularidade

Prefeito de Seul desde 2011, Park teve um papel importante nas enormes manifestações que ajudaram a levar à deposição da ex-presidente Park Geun-hye em 2017.

Nascido em Changyeong, na Província de Gyeongsang do Sul (sudeste), Park desfrutava de uma grande popularidade. Ele é o único governante na história de Seul a ser reeleito para um terceiro mandato consecutivo.

Antes de se tornar prefeito, Park era um destacado advogado de direitos humanos que fundou o grupo de direitos civis mais influente do país.

Como advogado, ele ganhou vários casos importantes, incluindo a primeira condenação por assédio sexual na Coreia do Sul. Ele também fez campanha pelos direitos das chamadas 'mulheres de conforto', escravas sexuais coreanas que foram atraídas ou forçadas a trabalhar em bordéis para o Exército japonês durante a 2ª Guerra.

Nos últimos anos, o movimento #MeToo se espalhou pelo país. Em abril, o prefeito da segunda maior cidade da Coreia do Sul, Busan, renunciou após admitir má conduta sexual e ser acusado de agredir sexualmente uma funcionária pública.

Um fluxo constante de mulheres apresentou acusações de abuso sexual contra uma série de homens sul-coreanos importantes, incluindo diretores de teatro, políticos, professores, líderes religiosos e ex-treinador da equipe nacional de patinação de velocidade. Muitos dos acusados pediram desculpas e renunciaram a suas posições. Vários enfrentaram acusações criminais.

Park foi considerado um crítico incansável da desigualdade de gênero e um antagonista da ex-presidente Park Geun-hye. Ele apoiou enormes manifestações contra ela em Seul, que finalmente levaram ao seu impeachment e deposição sob acusações de corrupção em 2017.

Tags: Coreia do Sul morte Park Won-soon prefeito de Seul
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