61% dos americanos lembram do 11/09 uma vez por semana

O levantamento, feito na semana passada com um total de 938 entrevistas, apontou que a maioria dos americanos acha que o país deveria lembrar os ataques formalmente.

BBC Brasil,
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos revelou que 61% dos americanos lembram dos atentados de 11 de setembro de 2001 pelo menos uma vez na semana.

A pesquisa, realizada pela consultoria Zogby, concluiu ainda que cerca de 80% dos americanos consideram os ataques de 11 de setembro de 2001 um marco histórico em suas vidas.

O levantamento, feito na semana passada com um total de 938 entrevistas, apontou que a maioria dos americanos acha que o país deveria lembrar os ataques formalmente – 83% disseram que toda a nação deveria respeitar um minuto de silêncio ou visitar o “Marco Zero”, o local onde estavam as torres gêmeas do World Trade Center derrubadas por dois aviões seqüestrados por extremistas.

A pesquisa foi publicada em meio à discussão na imprensa americana sobre a eventual “fadiga” do aniversário de 11 de setembro.

Nesta terça-feira (11), ao se completarem os seis anos da tragédia, eventos formais e informais serão realizados ao redor do país para lembrar a data, mas esses não ganharão a mesma atenção da mídia como no ano passado, quando se teve uma “data redonda”.

"Perda de foco"
Em recente entrevista ao jornal USA Today, Edward Linenthal, um acadêmico da Universidade de Indiana que escreveu sobre a história dos memoriais nos Estados Unidos, comentou que uma “certa perda de foco é inevitável entre os aniversários cujos anos não terminem em cinco ou zero”.

“Quanto de tributo é suficiente?”, questionou uma reportagem do jornal The New York Times na semana passada. “Muitas pessoas sentem que as comemorações coletivas, realizadas publicamente, são excessivas e vagas, até mesmo irritantes”, descreveu o periódico.

Mas para muitos outros, principalmente para aqueles que de alguma maneira foram atingidos diretamente pelos ataques, a data não será esquecida tão cedo.

“Passamos o marco dos cinco anos. No aniversário de seis daquele dia trágico, é importante, mais do que nunca, lembrar da tristeza e devastação daquele dia”, escreveu Lee Ielpi, vice-presidente da Associação das Famílias de 11 de Setembro, no site da organização.

“Não precisamos ser totalmente consumidos por 11 de setembro. No entanto, nossas vidas são cercadas por isso e, em alguns casos, ditadas por isso.”

Incêndio
Em Nova York, a lembrança dos atentados continua presente no dia-a-dia da cidade.

Em 18 de agosto, um incêndio no antigo prédio do Deutsche Bank, localizado próximo ao Marco Zero e que ainda passa por um complexo processo de demolição por causa dos gases tóxicos, trouxe à memória imagens e sentimentos da tragédia de 11 de setembro – a fumaça do incêndio sobre Manhattan, as sirenes e a morte de dois bombeiros.

Os casos de doenças respiratórias pós-atentados também continuam a chamar a atenção da população.

Na semana passada, a Prefeitura de Nova York inaugurou um site na internet sobre o assunto, com informações sobre tratamentos e pesquisas.

Nesta terça-feira, nos seis anos dos ataques, o foco estará em Nova York, onde 2.749 pessoas morreram nas torres do WTC.

Polêmica
Pela primeira vez, o aniversário dos atentados de 11 de setembro será lembrado numa cerimônia fora do Marco Zero.

O tradicional evento de leitura dos nomes das vítimas mortas na tragédia será feito em um parque próximo ao local.

A medida, tomada pela Prefeitura de Nova York, causou grande polêmica entre os familiares das vítimas.

O prefeito Michael Bloomberg acabou cedendo e permitiu que, após a cerimônia, as pessoas possam prestar suas homenagens no antigo lugar das torres, onde agora está sendo construido um memorial com previsão de abertura para 2009.

Quatro momentos de silêncio marcarão a cerimônia na exata hora em que cada avião colidiu contra as torres e em que os prédios desabaram.

À noite, será realizado o Tributo de Luz, em que dois canhões de luz são projetados no céu sobre o Marco Zero, simbolizando as torres do WTC.

O presidente americano, George W. Bush, participará de um cerimonial em Washington. Será respeitado um minuto de silêncio na Casa Branca.
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