Livro reúne correspondência de João Goulart durante seu mandato

'A Memória e o Guardião' revela uma República baseada na troca de favores, mostra o autor Juremir Machado da Silva.

Faustino da Rocha Rodrigues, Estadão Conteúdo,
Acervo Estadão
Presidente João Goulart passa em revista as tropas que o derrubariam em golpe de março de 1964, considerada revolução pelos militares.

É truísmo dizer que o momento político do Brasil inspira reflexão. No caso, o questionamento atual deve ser sobre a maneira como a faremos. A Memória e o Guardião, de Juremir Machado da Silva, publicado há pouco pela Civilização Brasileira, descortina um belo caminho para sanar essa nova/velha inquietação. O livro é escrito a partir da correspondência do presidente João Goulart, em seu curto, mas marcante, mandato.

Embora A Memória e o Guardião remeta imediatamente à década de 1960, desembocando inevitavelmente no golpe militar de 1964, mostra-se extremamente atual. E isso se dá pela forma como a rica correspondência é abordada. Juremir, já célebre como escritor por romances históricos e livros reportagens, como Viagens ao Extremo Sul da Solidão, Adios Baby, entre muitos outros, faz uma interessante abordagem que contempla não exatamente o elemento biográfico de João Goulart na cadeira de mandatário do Brasil. Ainda que seja a figura central, o livro permite um olhar direto para a sociedade brasileira e a forma como o indivíduo percebe o seu presidente. 

Em meio a documentos riquíssimos e a óbvia dificuldade em sua organização, Juremir demonstra como a política brasileira possui um singular mecanismo a atestar um passado arcaico. Tal fato se torna evidente quando a “lógica do pedir” se sobressai à maneira como se organiza a vida política brasileira. Todos pedem ao presidente da República. Políticos dos diferentes escalões, profissionais da imprensa, militares, cidadãos comuns etc. Em grande medida, reportam-se ao presidente com um interesse claro para a realização de um anseio muito particular: que vai desde cargo no funcionalismo público a liberação de crédito bancário para compra da casa própria. 

Um fragmento do princípio do livro traduz o que está em causa: “O que todos parecem esperar do poder? Favores. Nada mais”. O tom é seco. Polêmico. Entretanto, bastante revelador. O fato está dado. Desprovido da matriz clássica de desenvolvimento a permitir uma mobilidade vertical em sua estrutura, recorrer a favores, pedidos, como alternativa para a conquista de anseios pessoais é um caminho mais do que normal. “Num país com poucas expectativas de ascensão social, as relações de poder serviam de elevador”.

Segundo Juremir, a singularidade do que está em jogo é a capacidade de Jango se mostrar sensível a essas demandas. “A memória e o guardião” desnuda um personagem central para a história política e social brasileira a ponto de apresenta-lo como alguém que realmente conhece a realidade do país em que vive e lidera. Jango estava propenso a ouvir, por ser sabedor da importância desse ato. De modo simultâneo, estamos diante de um sujeito absurdamente político, ciente da mecânica institucional, legal, das normas envolvidas, disposto a não ferí-las em nenhum momento. Embora possuísse informações privilegiadas – algo natural para um presidente – não abre mão de seguir a legalidade, mesmo sabendo que um golpe caminha em sua direção. Em momento algum fere a norma legal. É um ator político que confia cegamente nas instituições, suportes para uma democracia. Enfim, confia em um Brasil moderno. 

Juremir, ao descrever Jango, volta-se para a sociedade brasileira. Aqui, o atento olhar sociológico se faz presente – além de jornalista, o autor é doutor em Sociologia pela Sorbonne. O princípio relacional desponta ao descortinar as interações entre os mais diversos tipos de pessoas com o poder, revelando muito da forma como esse poder, na figura do presidente da república, é concebido. Do sujeito mais simples ao mais destacado na estrutura do Estado, todos compreendem a política segundo a “lógica do favor”. 

Mas, se por um lado, há o crédito científico, com passeios biográficos na figura de Jango, há também, por outro, o esmero da literatura. Ao promover um olhar justo ao presidente deposto, Juremir não se vale de adjetivos em excesso. Logo, direcionando-nos para uma perspectiva mais objetiva, comum ao teor documental do relato histórico, desvia-se desses eventuais abusos, direcionando nossa percepção sobre Jango. Os adjetivos, pontuais, aparecem no momento de categorizar segmentos da sociedade, como a elite, atores políticos e sociais, personalidades expressivas. Neste caso, tece a sua opinião valendo-se daquele dado sociológico já mencionado anteriormente, conferindo riqueza ao texto ao ampliar a interação com o leitor, que é exigido, então, a concordar ou discordar do que é dito sobre a sociedade. 

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Como consequência, ficamos diante de um texto fluido, algo absurdamente importante diante da proposta de trabalho que nos é colocada. Isso porque, juntamente com sua beleza literária, não se pode esquecer do caráter documental do livro. E as deduções em torno da personalidade de Jango, a forma como se porta diante dos inúmeros favores, são elaboradas a partir da apresentação desses documentos. Portanto, a figura de João Goulart permanece com uma imagem bastante objetiva, ao passo que o leitor se encontra livre para a elaboração de julgamentos em torno da sociedade brasileira propriamente dita. 

O artifício de escrita seguido por Juremir impede que uma romantização, ou mesmo uma mistificação da figura de Jango venha ao primeiro plano, sobrepondo-se às demais informações. É como se o escritor de A Memória e o Guardião dissesse: “está aí, não sou eu quem diz isso”. Eis o repórter do tempo, o historiador. Resta ao leitor elaborar suas conclusões. 

Resgatar um personagem histórico como João Goulart, permite desnudar muito da realidade do país, pois desvenda algumas das faces da constituição de sua sociedade – em pleno momento de convulsão, como na atualidade. Simultaneamente, sugere uma ressignificação do valor do presidente da república. É uma maneira de se perceber a formação social e política do Brasil, reposicionando o olhar sobre suas instituições, agora, talvez mais requisitadas do que nunca. Diante do que avistamos da janela, é algo bastante propício. 


Confira abaixo a entrevista com Juremir Machado da Silva:

O que o motivou a escrever “A memória e o guardião” justamente agora? Alguma inspiração na atualidade?

A motivação inicial foi o meu deslumbramento com o material que me foi apresentado por Ricardo Guimarães, neto de Wamba Guimarães, oficial de gabinete de Jango, responsável por parte da correspondência do presidente da República. Como historiador e jornalista, tenho o fetiche do material inédito. De repente, mais de 900 itens da correspondência de Jango vieram para as minhas mãos. Comecei a ler e fiquei impressionado com o conteúdo das cartas, dos relatórios, dos informes, dos despachos de Jango. A segunda motivação foi a minha paixão por esse período, pela figura de Jango, pelo contexto da época. A atualidade repercutiu na minha decisão de fazer o livro. O Brasil de hoje aparece inteiro no Brasil de ontem. O título do meu livro poderia ter sido “todos pedem ao presidente”. Jango estava cercado por demandas de todos os tipos. O sistema funcionava dessa maneira. Ele buscava se equilibrar gerindo possibilidades e administrando alianças.

Como foi o processo de escrita?

Foi um processo exaustivo: organizar o material, catalogá-lo, buscar um fio condutor, conhecer cada personagem, refletir sobre as respostas de Jango, construir um texto capaz de dar uma visão da época e de inserir cada situação numa lógica coerente. O que se vê no conjunto de documentos é um modo de gestão de poder sintonizado com os valores da época: o exercício do poder como gestão de demandas políticas e privadas. Todos pedem ao presidente, aliados e adversários, conspiradores e pilares do governo, senadores, deputados, governadores, religiosos, militares, pessoas comuns. Pede-se de empréstimo para comprar a casa própria a passagem aérea. Vê-se na presidência da República uma agência de facilitação de favores. Até para transferir um contínuo do Banco do Brasil pede-se a interferência do presidente da República. Jango tenta ser equânime, justo, dentro das regras legais, embora nem tudo possa ser atendido ou nem tudo deve ser atendido.

A atualidade influencia na forma como descreve a personalidade de Jango, como sendo a de um bom ouvinte e extremamente capaz de diálogo?

Tenho estudado muito a figura de Jango. Escrevi outro livro sobre ele, Jango, A Vida e a Morte no Exílio (L&PM, 2013). Li muita correspondência inédita dele na época e agora. Aprendi a conhecer um homem inteligente, de boa escuta, capaz de cercar-se de gente muito competente, grandes ministros, com sensibilidade social, apesar de ser um fazendeiro rico, pronto a aprender na caminhada, flexível, o que lhe permitiu aceitar o parlamentarismo em 1961, resiliente, hábil nas articulações políticas, bom de voto, conhecedor das regras do jogo político da época, formado por um grande mestre particular, Getúlio Vargas, mergulhado numa matriz ampla e em funcionamento, o trabalhismo. Jango era um homem ponderado que podia tomar decisões firmes e contundentes depois de amadurecimento. O seu governo é a mostra dessa evolução em direção às necessárias reformas de base. Ele compreendeu a natureza das reformas em profundidade com o governo acontecendo. Não era teimoso. Aprendia, mudava, avançava.

O senhor fala que o historiador pode ser visto como um tipo de repórter. Tendo em vista a particularidade de cada um deles, como delimitar as suas singularidades?

Para mim, o historiador é um jornalista que cobre o passado. Não pretendo desmerecer os historiadores nem bajular os jornalistas. Sou formado em história e em jornalismo, com doutorado em sociologia. Quero dizer que historiador e jornalista buscam, antes de tudo, informação nova. Investigam, procuram, recebem informações, que organizam, encadeiam, inserem em contextos capazes de ter sentido. O que me mobiliza é informação inédita, o documento desconhecido, a peça que poderá acrescentar uma nova maneira de ver uma época. Historiador e jornalista, claro, trabalham com tempos de investigações e espaços de divulgação diferentes. A meta é a mesma: a verdade, a verdade possível de ser alcançada, aquela que pode ser sustentada com evidências, documentos, reconstruções, fontes, provas.

'A Memória e o Guardião' chama a atenção para coisas aparentemente pequenas interferindo na composição do todo. Isso é evidente nas correspondências com “atores menores”. Poderia falar mais sobre isso?

Sou um historiador do cotidiano. Tenho muito interesse no funcionamento das pequenas engrenagens que sustentam os poderes e as instituições. Gosto de acompanhar a pequena história dentro da grande História. Há o presidente da República, mas há o homem com suas singularidades, gostos, expectativas. O meu livro mostra como o senador e o chamado homem comum viam o poder de modo semelhante: uma fonte da qual obter algum benefício pessoal por vontade do poderoso. O imaginário brasileiro revela-se como um quadro, com suas cores, suas nuanças, suas particularidades e seus traços caricaturais. Todos, ricos e pobres, famosos e anônimos, encontram-se nesse espírito da época que faz do poder algo que se admira e despreza ao mesmo tempo como lugar de clientelismo, de favores, de jogadas obscuras e, ao mesmo tempo, de fausto, de distinção e de glória.

Como foi o trabalho de intercalar literatura e relatos históricos para fazer uma apresentação da personalidade de Jango? 

Sou um narrador. Publiquei muitos romances. Tenho o gosto da frase articulada, fluente, carregada de imagens e acredito muito numa história, assim como num jornalismo, o velho Novo Jornalismo, capaz de enlaçar objetividade e subjetividade, descrição de acontecimentos e cenários, diferentes pontos de vista, apresentação de aspectos psicológicos e reconstrução de uma atmosfera. Os atores históricos precisam ser o que são, personagens de um tempo, inseridos num mundo vivo, pulsante, realista, o mais próximo possível daquilo que ele foi. Um historiador conta histórias sem ficção, amparado em rastros deixados pelo passado, coletando pedaços, cacos, como um arqueólogo, para reconstituir um todo instável. 

A compreensão de Jango para com seus ouvintes era de sua personalidade ou um atributo do cargo de presidente?

Ele era assim como homem. Sensível, sedutor, envolvente, homem da sua época, apreciador da chamada boa vida, apegado aos valores da vida na campanha, o mundo rural do Rio Grande do Sul, tinha o gosto da roda de chimarrão, onde falar e ouvir fazem parte de uma etiqueta tácita. Jango não fazia poesia, não fingia ouvir para jogar com os interlocutores, não encenava. Ouvia por saber ouvir. São incontáveis os relatos sobre essa sua capacidade de escuta. Num mundo e num tempo de maravilhosos incendiários, Jango era um espírito mais sereno, mas não apático. Sabia viver intensamente e morreu dos excessos que praticou ao longo de vida estressante e interessante: comida gordurosa, cigarro, álcool. 

Comente a influência da literatura em sua obra?

É enorme. Sou um escritor mais do que tudo. Publiquei romances históricos como Getúlio (Record, 2004) e 1930, Águas da Revolução (Record, 2010). Gosto de aliar a pesquisa histórica meticulosa com a narrativa em tom de romance. Isso não significa inventar ou ficcionalizar, mas procurar exaustivamente detalhes para constituir o cenário: temperaturas, aspectos urbanos, detalhes do local de um encontro político, marcas de época, singularidades, rastros, tudo aquilo que ajuda a entrar num imaginário.

Comente a influência de sua visão sobre a política e os políticos na interpretação dos fatos históricos descritos no livro?

Acredito que a política precisa estar a serviço de todos. Não há saída fora da política para a vida em sociedade. Jango compreendeu isso em algum momento da sua trajetória. O contexto, porém, era diferente: a político como instrumento de interesses de grupos de pressão ou de personalidades proeminentes. O que se vê no livro é um tempo de política voltada para os particularismos. Tudo se descortina: o acordo eleitoral com partilha de cargos fixada no papel, a pressão pela ocupação de postos no governo, as cobranças por apoios dados, as promessas e os engajamentos segundo lógicas pessoais. É uma época que consolida a ideia da política como astúcia, jogo de poder ardiloso, toma-lá-dá-cá, uma mão lava a outra. A documentação não traz casos de corrupção. É tudo dentro da legalidade.

Em 'A Memória e o Guardião' o destaque na figura do presidente não eclipsaria o papel das instituições políticas? 

É uma circunstância. O livro examina a correspondência enviada a Jango ou por Jango. Ou os despachos de Jango nessa correspondência. Governadores, deputados, senadores, prefeitos e até vereadores circulam nesse universo fazendo a cada momento ver a força das instituições. Jango negocia constantemente com os representantes dos demais poderes, que recomendam, indicam, pedem, pressionam, cobram, lembram, articulam, mostram-se muito presentes em nomes dos seus interesses a partir do lugar de onde falam. Uma demanda de JK tem mais peso que um pedido de um desconhecido. Mesmo assim, sobressai a empatia de Jango com os mais vulneráveis, sua vontade de ajudá-los, sua generosidade, seu empenho. Claro, não podemos ser ingênuos, era uma máquina político-eleitoral que precisava ser constantemente azeitada. Responder e ajudaram alimentavam uma rede que deveria, no momento certo, resultar em votos. Em certas situações, porém, o que se vê é simplesmente Jango querendo ajudar.

Embora o livro remeta diretamente a um episódio marcante da história do Brasil, desnuda uma visão particular sobre a política. Ela permanece até os dias de hoje? Gostaria que o senhor a descrevesse para nós.

Pedir e receber, eis o que livro conta. Quem pede ao presidente? O que pede? Como pede? Para quem pede? O Brasil dotou-se nos últimos 55 anos de mecanismos de controle, transparência e gestão racionais. Mas se vê o tempo inteiro o quanto a político continua a viver de acertos, favores e uso de uma máquina de atendimento de demandas. Certamente que a transferência de um contínuo do Banco do Brasil já não passa pela mesa do presidente da República. Dificilmente um general hoje pede ao presidente que libere um financiamento na Caixa Econômica Federal para compra da casa própria. Por outro lado, quantos favores são ainda pedidos e concedidos? O Brasil mudou, mas não o bastante para ser diferente.

O livro indica uma mecânica singular do funcionamento da política brasileira. A sensibilidade ao pedir seria um requisito para se ocupar o cargo de presidente? 

A habilidade na gestão dos pedidos era fundamental para o equilíbrio no poder. Jango atendia pedidos de governadores como Magalhães Pinto, que conspirava contra ele. Certamente não estava a par das conspirações quando despachava favoravelmente, mas sabia que sempre precisava tentar ampliar seu leque de simpatias, apoios, dívidas, relacionamentos, compartilhamentos. Nada era inocente e tudo estava rigorosamente dentro dos costumes. Governar era cooptar, agradar, conceder, semear, estender pontes, abrir portas, lançar garrafas ao mar. Fora disso, poder não havia.

“Num país com poucas expectativas de ascensão social, as relações de poder serviam de elevador”. Isso não seria uma interpretação bastante sociológica?

Meu livro propõe uma interpretação sociológica da época. Isso não significa reduzir a época a um conceito fechado. Significa que podemos trabalhar com hipóteses capazes de ajudar a organizar os dispositivos de uma época e de um lugar. Na luta por um lugar ao sol, a política podia ser trampolim. Servir para ser servido em algum grau, mesmo pequeno. Era comum colocar-se sob a proteção de um padrinho, de um coronel, de um poderoso em busca de alguma recompensa. Às vezes, era a única possibilidade disponível. A sociedade estruturava-se em redes de proteção e interesse.

Qual o lugar da ideologia política em sua obra?

Há um exame do trabalhismo como ideologia de união entre capital e trabalho. O trabalhismo, em certo sentido, foi a socialdemocracia tropical, brasileira, no contexto da época, articulando racionalidade estatal e paternalismo, sensibilidade social e clientelismo, ampliando o campo de proteção social e da política para todos sem, contudo, ter como romper de uma hora para outra um estado de coisas calcificado e com sua eficácia.

O senhor praticamente não trabalha com conceitos como civilização, cidadania, desenvolvimento, ao longo de todo o livro. Por quê?

Excelente pergunta. Eu diria que meu livro não é propriamente conceitual. Eu deixo o material falar. Sigo o que ele me diz. Fiquei concentrado no que cada papel me dizia e em como isso se articulava no todo. Há certamente um déficit de cidadania e de civilização que Jango pretendia superar com suas reformas de base. O Brasil era pré-moderno, atolado na desigualdade, dominado por uma elite impiedosa e egoísta. Dar o grande salto tornou-se o sonho, o projeto mesmo, de Jango. Ele foi derrubado quando começou a tentar transformar o sonho em realidade. Jango tentou mudar o Brasil. Pagou caro por isso. Quis ir além do que o modelo vigente autorizava.

Resumidamente, podemos dizer que em sua visão o Brasil é comandado por interesses e conveniência?

Era e é. Escrevi um livro sobre a abolição da escravatura (Raízes do conservadorismo brasileiro: a abolição na imprensa e no imaginário social. Civilização Brasileira, 2017). As elites escravocratas queriam mamar uma colheita a mais com braço escravo que fosse. Havia um jogo sujo para ganhar tempo, fartar-se um pouco mais. A grande dificuldade de nossas elites é aceitar um plano de longo prazo que resultado em igualdade. Jango nunca foi comunista como o acusavam. Queriam favorecer um mercado interno brasileiro que fortalecesse o capitalismo. Para isso, precisava alfabetizar as pessoas e dar-lhes condições de ter poder aquisitivo. 

'A Memória e o Guardião' não seria um livro muito cruel no que toca à realidade do Brasil?

É um livro que tenta resgatar a figura de Jango. Um injustiçado. E que mostra a crueldade das nossas elites gananciosas, frias e indiferentes aos sofrimentos da maioria. Ainda precisamos de uma revolução de mentalidades. Os ricos, que se encantam com a segurança na Europa, ainda não compreenderam a correlação entre igualdade, perspectiva e paz. Não a paz do paraíso, mas aquela suficiente para se sair de casa sem medo.

O que o senhor diria para o presidente Bolsonaro?

Poupe-nos, por favor.

Tags: Jango Juremir Machado
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