Deputados se posicionam sobre efeitos da venda dos ativos da Petrobras

Parlamentares divergiram sobre as consequências econômicas que podem ocorrer no Rio Grande do Norte.

Da redação, Assembleia Legislativa,
Eduardo Maia/ALRN
Saída da Petrobras do Rio Grande do Norte pautou mais uma vez os pronunciamentos dos deputados na sessão remota desta quinta-feira.

O debate em torno dos feitos da venda dos ativos da Petrobras no Rio Grande do Norte marcou quatro dos cinco pronunciamentos feitos, na manhã desta quinta-feira (27), durante o horário dos deputados na sessão remota da Assembleia Legislativa. A atenção ao tratamento psiquiátrico dos norte-rio-grandenses também foi destaque. 

A possível transferência de administração da Petrobras no RN não deve ser vista com pessimismo, de acordo com os deputados Gustavo Carvalho (PSDB) e José Dias (PSDB). “A Petrobras, no interior, faz mais de quatro anos que está no ‘seca Lourenço´ no RN. Não faz investimento e não deixava que ninguém da iniciativa privada, que é quem hoje tem mais expertise, chegar aqui”, disse Gustavo Carvalho mencionando termo usado no interior do estado em alusão a procrastinação. “Não é a saída da Petrobras daqui que vai tirar nosso petróleo. O petróleo fica”, disse. 

Para José Dias a privatização traz uma série de benefícios. “Não importa a cor do gato, o que importa é se ele pega o rato. E a privatização é que pega o rato”, comentou em alusão ao processo de venda. O parlamentar, que vem constantemente criticando a atual administração ainda citou a privatização da mineradora Vale, da Embraer e da Cosern, como casos de sucesso. “O que pode e deve ocorrer é que ninguém vai comprar a Petrobras para fechar, mas para ganhar dinheiro”, raciocinou. 

Getúlio Rêgo (DEM) citou dois artigos, um do prefeito de Guamaré Francisco Adriano Diógenes e outro do secretário-geral da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás, Anabal Santos. “É um depoimento de respeito e admiração pela Petrobras e sua presença no RN. Um relato embasado na sensatez e conhecimento de causa”, afirmou sobre o primeiro. Sobre o segundo, indicou para “observar o conteúdo do significado da venda desses ativos”. Para Getúlio, a Petrobras está sucateada.

Com discurso moderado e defendendo a permanência da estatal no Rio Grande do Norte, Hermano Morais (PSB) lamentou o anúncio da venda dos ativos da empresa. “Não acredito que ninguém possa defender a saída da Petrobras do nosso Estado. O ideal é que permaneça e que venha mais investimentos, inclusive do setor privado”, disse. O parlamentar citou o que chamou de “política de desinvestimento” dentro da empresa e chamou atenção para os efeitos da venda. “Já perdemos muitos postos de trabalho e podemos perder mais, com repercussão direta e indireta na economia. O RN vem sofrendo retrocesso há algum tempo com seca, má gestão, recessão econômica e a agora, no meio de uma pandemia, a saída da Petrobras”, elencou.

Encerrando o tema da Petrobras, Francisco do PT respondeu diretamente às críticas feitas à legenda que é filiado. “Todo partido político, independente das ideologias, tem pessoas sérias e de bem. Querer imputar a apenas um partido a situação que o País vive, e esquecer de seus partidos e dos que governaram há tantos anos, é querer apagar a história”, defendeu. O parlamentar afirmou que os posicionamentos expostos sobre a Petrobras “cheiram a boicote de quem acha que está fazendo mal a Fátima, mas está fazendo mal ao RN”, concluiu.

Saúde Mental

Ainda dentro do horário destinados aos deputados, Vivaldo Costa (PSD) chamou a atenção para a necessidade de uma política de saúde voltada para os pacientes psiquiátricos. “Não existe atendimento psiquiátrico nos hospitais regionais. O doente mental ficou sem alternativa. É preciso que o atendimento ao doente mental seja priorizado. Por isso peço a governadora Fátima Bezerra e ao secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia a contratação de psiquiatras para acompanhar esse tipo de paciente”, solicitou.

Sem fugir do tema que dominou o bloco destinado aos deputados, Vivaldo se posicionou. “Sou de uma época de gritar que o petróleo é nosso. A gente precisa primar pelas nossas riquezas, que a Petrobras continue gerando riqueza e trabalho para o Rio Grande do Norte. Não podemos abrir mão desse patrimônio que é do RN”, afirmou.

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