Com receio até de prisão, procuradores da Lava Jato articulam recorrer ao Supremo

Investigação que corre no STF tem como objetivo apurar se a força-tarefa de Curitiba tentou intimidar e investigar ilegalmente ministros da Corte.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Fátima Elena Albuquerque
Acuados, procuradores da Lava Jato articulam recorrer ao STF para barrar investigação no STJ.

Em meio a reveses da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal e acuados com investigação que tramita no Superior Tribunal de Justiça, ex-integrantes da força-tarefa articulam uma ofensiva para se protegerem. Procuradores ouvidos pelo Estadão disseram que temem ser alvo de buscas ou até mesmo ordem de prisão e por isso devem recorrer à ministra Rosa Weber, do STF, para insistir no trancamento do inquérito do STJ.

A ministra é relatora de dois habeas corpus que pedem a suspensão da investigação aberta de ofício pelo presidente do STJ, ministro Humberto Martins, para apurar se a força-tarefa de Curitiba tentou intimidar e investigar ilegalmente ministros do tribunal. Rosa já negou pedido liminar de trancamento da investigação por considerar que não havia requisitos necessários para uma decisão de urgência.

Na manhã desta sexta-feira (26), a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, informou que, segundo interlocutores de Martins, estão nos planos do magistrado operações de busca e apreensão contra integrantes da força-tarefa que foi extinta no início do ano.

Na noite desta quinta-feira (25), os advogados Marcelo Knopfelmacher e Felipe Locke Cavalcanti, que defendem procuradores que atuaram na Lava Jato, se manifestaram em nota publicada nas redes sociais, destacando os números do que chamam de ‘maior e mais eficaz iniciativa integrada de combate à corrupção na história do Brasil’.

A investigação contra os ex-integrantes da Lava Jato foi aberta na esteira das mensagens hackeadas da força-tarefa que foram tornadas públicas depois que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu autorização do Supremo Tribunal Federal para acessar o acervo da Operação Spoofing. A origem ilícita das conversas, é um dos pontos questionados nos habeas corpus impetrados no Supremo contra a investigação.

O inquérito também foi atacado pelo Ministério Público Federal. O próprio procurador-geral da República, Augusto Aras, se comprometeu com uma ofensiva jurídica contra as apurações. Neta segunda-feira (22), o PGR renovou o pedido pelo trancamento da investigação alegando ela está carregada de ‘vícios’ que tornam ‘flagrantemente ilegal e abusiva a atividade persecutória’. Na avaliação da Procuradoria, por ter sido instaurado de ofício pelo presidente do STJ, o inquérito viola o sistema acusatório e as prerrogativas dos membros do MPF.

Tags: investigação no STJ Lava Jato procuradores recurso STF
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