Operação do Ministério Público desmonta esquema de fura-fila do SUS

Operação Fura-fila foi deflagrada nesta terça; vereador de Parnamirim é suspeito de encabeçar suposto esquema de fraudes.

Da redação, MPRN,
Assecom/MP
Ao todo, 27 promotores de Justiça, 42 servidores do MP e 90 policiais militares participaram da operação deflagrada hoje.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP) deflagrou nesta terça-feira (20) a operação Fura-fila. O objetivo é desmontar um suposto esquema de fraudes no sistema de marcação de consultas e exames do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado. Um deputado estadual é suspeito de envolvimento com o esquema. Um vereador de Parnamirim foi preso e cinco secretários municipais de Saúde e de Assistência Social, afastados dos cargos.

As investigações do MP foram iniciadas em 2019, após denúncias de servidores da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap). Na apuração, o MP descobriu que desde 2017 a organização criminosa inseria dados falsos e alterava informações legítimas no Sistema Integrado de Gerenciamento de Usuários do SUS (SIGUS), sistema informatizado utilizado pela Sesap e por alguns municípios do Estado para regular a oferta, autorização, agendamento e controle de procedimentos ofertados pelo SUS.

Essas invasões na ferramenta de regulação interferem na sequência de elegibilidade de procedimentos médicos gerenciados pelo Sistema. Desta forma, o grupo furava a chamada “fila do SUS”, propiciando vantagens indevidas aos fraudadores. 

Com o apoio da Polícia Militar, a operação Fura-fila cumpriu dois mandados de prisão preventiva, um mandado de prisão temporária e ainda outros 22 mandados de busca e apreensão nas cidades de Natal, Parnamirim, Mossoró, Caicó, Monte Alegre, Areia Branca, Brejinho, Frutuoso Gomes, Rafael Godeiro e Passa e Fica. Também houve o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na cidade de São Paulo. Ao todo, 27 promotores de Justiça, 42 servidores do MPRN e 90 policiais militares participaram da ação.

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O MP apurou que o esquema seria encabeçado por Diogo Rodrigues da Silva, eleito vereador por Parnamirim em 2020. Ainda antes de se eleger, valendo-se de sua posição dentro da estrutura administrativa municipal, Diogo Rodrigues teria montado o esquema de inserção de dados falsos no SIGUS, burlando a fila do SUS. A suspeita é que ele teria como braço-direito no esquema a própria companheira, Monikely Nunes Santos, que é funcionária de um cartório em Parnamirim.

O casal é investigado pelos crimes de estelionato, exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica, peculato, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Para o cometimento dos delitos, Diogo Rodrigues e Monikely Santos, que foram presos preventivamente, supostamente contavam com o apoio direto de outras pessoas, também alvo das investigações do MP.

A Câmara Municipal de Parnamirm emitiu uma nota sobre o caso, colocando-se à disposição dos órgãos de investigação para contribuir com as informações necessárias.

Confira a nota da íntegra:

A Câmara Municipal de Parnamirim acompanha com atenção e espírito colaborativo a operação “Fura-Fila” deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, na manhã desta terça-feira (20).

Esta Casa Legislativa está à disposição dos órgãos de investigação para contribuir com as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos. 

Ressalte-se que esta Câmara não é alvo de nenhuma investigação.
Ratifica a confiança no sistema de Justiça do nosso Estado.

Parnamirim, 20 de abril de 2021

Mesa Diretora da Câmara de Parnamirim

Tags: fura-fila marcação de consultas Ministério Público operação Fura-fila SUS
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