Lava Jato investiga ex-advogado da família Bolsonaro por lavagem de R$ 2,6 milhões

Operação E$quema S aponta que recursos foram desviados da Fecomércio do Rio.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Adriano Machado/Reuters
Advogado Frederick Wassef, foi defensor do presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro.

Ao pedir a expedição de mandados de busca e apreensão contra dois endereços ligados ao advogado Frederick Wassef, a força-tarefa da Lava Jato no Rio apontou fortes elementos da prática de atos de lavagem de dinheiro envolvendo o ex-defensor do senador Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas e dinheiro desviado da Fecomércio. O Ministério Público Federal identificou repasses de ao menos R$ 2,6 milhões feitos em benefício do escritório de Wassef por parte de um outro escritório de advocacia que teria desviado cerca de R$ 4,4 milhões do Senac e do Sesc do Rio, entre dezembro de 2016 e maio de 2017.

Ex-advogado de Flávio é um dos alvos da Operação E$quema S, deflagrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Receita para investigar suposta estrutura irregular de pagamento a escritórios de advocacia e possíveis desvios de até R$ 355 milhões entre 2012 e 2018 das seções fluminenses do Serviço Social do Comércio (Sesc RJ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac RJ) e da Federação do Comércio (Fecomércio/RJ). Em meio ao fogo cerrado que ameaça sua estrutura e seu futuro, a Lava Jato dá seu passo mais audacioso dos últimos tempos. A Operação E$quema S é uma ofensiva arrojada que mira advogados que detêm currículos importantes, sobretudo em Brasília, e que carregam no sobrenome suas maiores credenciais, filhos de ministros de tribunais.

OperacaoEsquemaSFrederickWassef

No caso de Wassef, a Procuradoria solicitou autorização para diligências em endereço ligado ao advogado em São Paulo e ainda em seu escritório em Atibaia – local onde o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, apontado como suposto operador financeiro do esquema de rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro enquanto deputado estadual no Rio, foi preso no âmbito da Operação Anjo.

Na representação enviada ao juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, a Lava Jato fluminense apontou que entre dezembro de 2016 e maio de 2017, foram desviados ao menos R$ 4.475.000,00 da Fecomércio do Rio e seus órgãos subordinados (Sesc e Senac), mediante pagamentos de honorários advocatícios, por serviços que efetivamente não foram prestados. “Os elementos colhidos até o momento revelam repasses sequenciais de tais recursos a Márcia Zamperon e Frederick Wassef, ocultando a sua origem e distanciando o dinheiro de sua origem ilícita”, apontaram.

Segundo o delator Orlando Santos Diniz, ex-presidente da Fecomércio, o escritório contratado no caso, Eluf Santos Sociedade de Advogados foi, na verdade, uma maneira dissimulada de contratar Wassef. O primeiro foi o ‘recebedor ostensivo do dinheiro’ e ocultou ‘os reais proprietários dos valores, em típica atividade de lavagem de capitais’, segundo os procuradores.

“Tão logo os valores relativos a honorários advocatícios devidos pela Fecomércio/SESC/SENAC RJ foram depositados na conta de escritório ELUF, a maior parte deles foi reiterada e sequencialmente destinada a duas principais contrapartes: o escritório Wassef &Sonnerburg Sociedade de Advogados e Marcia Carina Castelo Branco Zampiron”, frisou a força-tarefa da Lava Jato.

LavaJatoEsquemaS

A Procuradoria da República fluminense ainda apontou que entre janeiro de 2015 e abril de 2017 – abrangendo período em que foram realizadas as transferências do Eluf Santos Sociedade de Advogados vinculadas aos desvios da Fecomércio do Rio – , o escritório de Wassef recebeu mais de R$ 4 milhões de empresas ligadas a Maria Cristina Boner Leo, sua ex-mulher que, até mês passado, defendia e prestava consultorias à família Bolsonaro. Segundo os procuradores, tais movimentações indicam que ‘o uso de pessoa interposta para recebimento de valores por Wassef mostra-se como prática reiterada e forma de atuação para prática de lavagem de dinheiro’.

Tags: Frederick Wassef Operação E$quema S
A+ A-