Justiça condena Youssef e mais três

Os quatro foram condenados por lavagem de dinheiro em processo referente a recursos de deputado que participava do mensalão.

Da redação,

A Justiça Federal do Paraná condenou o doleiro Alberto Youssef e mais três réus da Operação Lava Jato por lavagem de dinheiro. O processo é referente aos recursos que pertenciam ao ex-deputado federal José Janene, morto em 2010 e um dos participantes do mensalão.


Além de Alberto Youssef, o juiz federal Sérgio Moro condenou também o doleiro Carlos Habib Chater e os laranjas Ediel Viana da Silva e Carlos Alberto Pereira da Costa.

Na quinta-feira, o doleiro, que é peça-chave na operação Lava Jato, declarou, em depoimento à Justiça Federal, ter arrecadado R$ 180 milhões em propinas com o esquema de corrupção dentro da Petrobras. Em média, os pagamentos giravam em torno de 1% sobre o valor dos contratos fraudados na estatal. Parte era repassada a partidos políticos e outra parte para dirigentes da companhia petrolífera. Durante a delação, que durou quatro horas e meia, Youssef declarou que, do montante arrecadado, ficou com cerca de R$ 8 milhões. O questionamento foi feito por um advogado durante audiência realizada na quarta-feira (29).

Youssef também admitiu que as propinas tinham como objetivo o direcionamento de licitação e o benefício na execução de contratos. “A propina é sistemática”, disse.

Alberto Youssef confirmou que chegou a viajar para o Uruguai acompanhado por Leonardo Meirelles, apontado pela Polícia Federal como o laranja do doleiro em empresas de fachada. O motivo da viagem seria o pagamento de uma propina relacionada à Repar, a Refinaria Getúlio Vargas em Araucária, na Região metropolitana de Curitiba, e à construtora Odebrecht.

Em nota, a empreiteira citada no depoimento, disse que refuta mais uma vez as afirmações caluniosas contra a empresa e os integrantes. Disse ainda que lamenta o fato de uma mentira ser reconstruída e emendada tantas vezes ao longo de vários depoimentos e delações, sem que isso traga qualquer consequência para um réu confesso em desespero para obter o perdão pelos crimes cometidos.

Segundo o doleiro, todas as verbas recebidas por ele foram em dinheiro vivo. Nas próximas semanas, os executivos das empreiteiras também devem ser ouvidos, entre eles, os nove beneficiados com o regime de prisão domiciliar.

Nove executivos deixam a cadeia

Na semana passada, os nove executivos de empreiteiras presos na 7º fase da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal, deixaram a cadeia. O presidente da UTC, Ricardo Pessoa, e o vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, por exemplo, seguiram para a Justiça Federal no Paraná para colocar a tornozeleira eletrônica.

Todos os nove cumprirão prisão domiciliar.

Seguindo voto do relator, ministro Teori Zavascki, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu no dia 28 a liberdade a todos os executivos de empreiteiras presos na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Os argumentos para liberar os acusados foram estendidos ao presidente da UTC.

Com a decisão, também foram soltos os executivos da OAS - José Ricardo Nogueira Breghirolli, Agenor Franklin, Mateus Coutinho e José Aldemário Filho -, além de Sérgio Mendes, conhecido como Mendes Júnior, Gerson Almada, da Engevix, Erton Medeiros, da Galvão Engenharia, e João Ricardo Auler, da Camargo Corrêa.

Em troca da concessão da liberdade, os investigados deverão cumprir medidas cautelares estabelecidas pelo Supremo. Eles serão monitorados por tornozeleira eletrônica, não poderão ter contato com outros investigados e deverão comparecer à Justiça a cada 15 dias. Todos estão proibidos de deixar o país e deverão entregar o passaporte.

Para conceder o habeas corpus aos executivos, os ministros entenderam que a prisão preventiva não pode ser aplicada como sentença antecipada, mesmo diante da gravidade dos crimes praticados.

Os executivos foram presos em novembro do ano passado, por determinação do juiz federal Sérgio Moro, com base em acusações colhidas em depoimentos de delação premiada do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Segundo eles, os executivos pagavam propina a ex-diretores da estatal em troca de contratos para construção de obras.

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