Flávio diz que escolherá data de acareação com Marinho

MPF apura o suposto vazamento da operação Furna da Onça para aliados do senador.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Adriano Machado/Reuters

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou que cabe a ele escolher a data da acareação (confronto entre versões) que será feita com o empresário Paulo Marinho, seu suplente no Senado e hoje adversário político. Os advogados afirmam ainda que Flávio não foi notificado, mas que a data de 21 de setembro, reservada pelo Ministério Público Federal, não está disponível na agenda do parlamentar.

Marinho afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo e, depois, a investigadores, que Flávio e seus aliados teriam recebido informações sobre a operação Furna da Onça durante o período eleitoral de 2018 – os mandados foram cumpridos em novembro daquele ano, após as eleições.

Tanto o MPF quanto a Polícia Federal apuram o suposto vazamento. Marinho e Flávio já prestaram depoimentos, mas, como as versões são distintas, haverá uma acareação.

Os advogados do filho do presidente Jair Bolsonaro entendem que, por ter direito a foro especial em Brasília, o senador é quem deve escolher a data. “Além disso, o senador irá usar a prerrogativa de seu cargo para marcar o encontro no Senado, em Brasília, onde exerce a sua função parlamentar e reside, e não no Rio de Janeiro, onde a investigação é conduzida”, diz a nota.

Segundo a versão de Marinho, um representante da PF teria dito aos aliados de Flávio que a operação seria atrasada para não prejudicar a família Bolsonaro na eleição. Apesar de não ter sido alvo da Furna da Onça, que mirou em pagamentos de propina na Assembleia Legislativa do Rio, foi um relatório produzido no âmbito da operação pelo antigo Coaf que identificou as movimentações atípicas nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do então deputado estadual.

Revelado pelo Estadão em dezembro de 2018, o caso envolvendo Queiroz se transformou em uma investigação do Ministério Público do Rio que apura as supostas práticas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa pelo filho do presidente. Ele nega as acusações – tanto as da investigação da ‘rachadinha’ quanto as feitas por Paulo Marinho.

Tags: Flávio Bolsonaro Investigação
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