Ex-diretor da Petrobras decide fazer delação premiada

Paulo Roberto Costa está preso desde junho por suspeitas de corrupção na petrolífera.

Da redação, Gazeta do Povo,

paulo_roberto_370O ex-diretor da Área de Abastecimento da Petrobras preso devido as investigações da operação Lava Jato da Polícia Federal (PF), Paulo Roberto Costa, decidiu fazer delação premiada à Justiça. 

Costa, que está preso desde junho por envolvimento em suspeitas de corrupção e desvio de recursos na companhia petrolífera, se reuniu ontem (22) com a advogada criminalista Beatriz Catta Preta na Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná, em Curitiba. Ela é considerada especialista em negociar o acordo com a Justiça.

Apesar da disposição do ex-diretor, os delegados da PF envolvidos na investigação da operação Lava Jato descartaram, porém, qualquer acordo de delação premiada por enquanto. Durante coletiva de imprensa na sede da Ministério Público Federal (MPF) nesta sexta-feira, tanto a PF quanto o MPF confirmaram que alguns dos réus presos estão colaborando com as investigações, como é o caso do advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, mas sem delação premiada. 

“Diante do que foi apurado na operação, alguns dos indiciados que estão presos estão querendo colaborar, mas a colaboração é aceita de forma espontânea. Não existe acordo de delação, não foi feita nenhuma proposta nesse sentido”, afirmou o delegado da PF, Eduardo Mauat da Silva. “Até o momento, não existe nenhum acordo de delação premiada como fizemos no passado [com Alberto Youssef] e nem um momento de pré-acordo com nenhum dos envolvidos. Mas, o que eles falarem, o juiz deve considerar e é um direito que eles têm”, disse o procurador Carlos Fernando Santos Lima.

O presidente do Democratas, senador Agripino Maia (DEM-RN), afirmou ontem (22) que o ex-diretor da Petrobras pode contribuir para abrir a "caixa preta" da companhia. Na iminência de sofrer condenações decorrentes da ação judicial, Costa considera que não tem a menor chance de sair da prisão tão cedo. E quer preservar a família, que se tornou alvo da Lava Jato. "É importante que a caixa preta da Petrobras seja aberta. E ele pode dar uma contribuição", afirmou o presidente do DEM. "Agora é preciso que a contribuição do delator venha acompanhada de provas irrefutáveis", ponderou Maia, que é coordenador-geral da campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB).

Agripino Maia lembrou que, em junho, o ex-diretor da estatal depôs na CPI da Petrobras do Senado e negou qualquer envolvimento nas irregularidades sob investigação da comissão de inquérito e da PF. Um dia depois, ele foi preso novamente pela polícia e está detido desde então. O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), afirmou que Costa, com a delação, pode "ajudar muito a passar a limpo a Petrobras". Questionado se o ex-diretor - que chegou ao cargo e contou com o apoio de parlamentares do PP, PMDB e PT - poderia envolver políticos, Bueno defendeu que ele "fale tudo e não deixe nada encoberto".

Para Bueno, Costa tem que dizer o que aconteceu, mesmo que envolva deputados e senadores. "A delação não pode ser restrita. Se, por ventura, aparecerem parlamentares envolvidos, eles precisam responder por isso", afirmou o líder do PPS, um dos mais atuantes na CPI mista da Petrobrás. A reportagem não conseguiu localizar, por telefone, o relator da CPI mista, deputado Marco Maia (PT-RS) nem o presidente das duas comissões de inquérito, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), para comentar a decisão do ex-diretor.

Empresas

As empresas alvos de mandatos de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) ontem (22) são suspeitas de receber dinheiro desviado de obras da Petrobras por meio de contratos com empreiteiras e consócios ligados à estatal. Segundo investigações, as verbas foram repassadas ao ex-diretor da petroquímica, Paulo Roberto Costa, que está preso desde março em Curitiba, e pessoas próximas a ele. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), as investigações da Operação Lava Jato chegaram aos nomes das corporações por meio de análises de transações financeiras descobertas a partir da quebra de sigilos de Costa e seus parentes.

As transferências e os trabalhos contratados são similares aos de outras empresas ligadas ao doleiro londrinense Alberto Youssef, também suspeitas de envolvimento no esquema. Conforme a PF, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em dez empresas e uma residência, todos no Rio de Janeiro. Oito empresas funcionavam no mesmo local. As corporações eram ligadas a Paulo Roberto, sua mulher, sua filha, seu genro e um sócio do genro. Este último, Marcelo Barboza Daniel, também era alvo de um mandado de condução coercitiva (levado a prestar depoimento), mas estava em viagem aos Estados Unidos.

Segundo a delegada da PF, Erika Marena, Daniel foi contatado e se colocou à disposição da Justiça. A data e o local do depoimento dele já estão definidos, mas não foram divulgados. O nome do empresário já havia sido citado em documentos da Operação Lava Jato, já que a empresa dele e do genro de Costa, Humberto Sampaio de Mesquita, firmou contrato de R$ 2,5 milhões com a Petrobras para prestar serviço de qualificação e capacitação.

Quebra de sigilo bancário de Costa indicou que ele movimentou numa única conta R$ 3 milhões em quatro meses neste ano e parte desse dinheiro foi repassado por Daniel. "Foi verificado um pico de movimentação no mês de 02/2013, no valor de R$ 1 milhão, proveniente de TED recebida de Marcelo Barboza Daniel", diz relatório da PF. No mesmo documento, Barboza é citado como sócio de sete empresas com sede no mesmo endereço no Rio. Os dois genros e as filhas de Costa também são réus em um processo, acusados de destruir documentos que seriam coletados pela PF, em março.

Tags: delação premiada Paulo Roberto Costa
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