Ao lado de hospital de campanha, Carioca retorna em Maracanã vazio

Em campo, Flamengo derrota o Bangu por 3 a 0 em partida válida pela Taça Rio.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Alexandre Vidal/CRF
Pedro Rocha, com direito a tapinha dos companheiros na comemoração, fechou o placar por 3 a 0, no retorno do Campeonato Carioca.

SELO-CORONA-100Enquanto 258 pessoas convalesciam pela covid-19 no Hospital de Campanha do Maracanã, a poucos metros daí a bola voltou a rolar pelo Campeonato Carioca. Nesta quinta-feira (18), dois dias depois de completar 70 anos, o mais icônico estádio do País não teve um único torcedor em seus 78 mil assentos para assistir Flamengo x Bangu. No campo, o jogo acabou 3 a 0 para os rubro-negros.

A primeira partida oficial em solo brasileiro desde o início da pandemia só foi confirmada na terça-feira e sob a promessa do cumprimento de uma série de medidas de segurança, mas nem todas foram seguidas ao pé da letra, incluindo a que tem servido de mantra aos que defendem o retorno do futebol: a de que todos os envolvidos com a partida passariam por testes para detecção de infecção por coronavírus.

O problema é que nenhum laboratório do Rio conseguiria entregar o resultado do exame mais seguro a tempo da partida. Com isso, restou a alguns o uso dos testes rápidos, cuja eficácia é incerta em quem não apresenta nenhum sintoma.

Outras medidas foram de fato cumpridas. Na entrada do estádio, jornalistas tiveram que passar por uma cabine de desinfecção para roupas e equipamentos e receberam máscaras e álcool em gel, que também ficou disponível no acesso às tribunas. Funcionários da limpeza podiam ser vistos a todo momento desinfectando corrimãos. Junto ao gramado, bolas que saíam pelas laterais durante o jogo eram higienizadas pelos gandulas.

Com as arquibancadas vazias, o distanciamento social foi fácil de controlar. Estafe de Flamengo, Bangu e funcionários da Federação de Futebol do Rio (Ferj), além de jornalistas, mantiveram afastamento de pelo menos um metro. No reservado, nenhum atleta pôde se sentar junto a outro, e todos utilizaram máscaras. Elas foram retiradas, contudo, quando eles foram aquecer atrás da meta no segundo tempo. Os técnicos dos dois times, por sua vez, não usaram a proteção em nenhum momento.

Entre os jogadores, claro, o contato foi inevitável. E isso aconteceu mesmo nas vezes em que se tentou ter precaução. Quando Arrascaeta marcou 1 a 0, em chute da entrada da área, a comemoração com os colegas foi contida e sem abraços, dando lugar ao tradicional toque de cotovelos. Ainda assim, alguns cumprimentaram o autor do gol com um toque de mãos fechadas.

Já Bruno Henrique pareceu mais à vontade. Ao marcar 2 a 0 na etapa final, ele abraçou dois companheiros no fundo de campo com a mesma naturalidade dos tempos pré-pandemia. O ato, temerário e que não deveria acontecer, serviu ao menos para diminuir a melancolia de um Maracanã de arquibancadas vazias e que mais parecia um centro de treinamento. Pedro Rocha, com direito a tapinha dos companheiros na comemoração, fechou o placar por 3 a 0.

Do lado de fora do estádio também não pareceu noite de jogo. A movimentação, pequena, foi apenas de pessoas que aproveitaram o calçadão do entorno para a prática de exercícios. O policiamento parecia o de um dia como qualquer outro. A diferença só foi notada antes do início da partida, quando um grupo de 15 torcedores dos quatro grandes clubes do Rio estendeu faixas contra o presidente Jair Bolsonaro. A manifestação durou poucos minutos.

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