Retorno da F-1 ao Brasil tem novo chefe e duelo entre Verstappen e Hamilton

Etapa deste fim de semana marca a despedida do finlandês Kimi Raikkonen do circuito e a estreia do alemão Mick Schumacher como piloto titular.

Da redação, Estadão Conteúdo ,
Reuters/Dominic Ebenbichler
Os holofotes estarão em Verstappen e Lewis Hamilton. O líder do campeonato costuma fazer boas apresentações em Interlagos.

Quase dois anos depois do último GP em São Paulo, os carros da Fórmula 1 voltam ao Autódromo de Interlagos a partir desta sexta-feira. Entre aquela corrida, vencida por Max Verstappen, e a etapa deste fim de semana muita coisa aconteceu. Além da pandemia da covid-19, que cancelou a prova do ano passado, o GP mudou de dono e até de nome. A rivalidade entre São Paulo e o Rio, para sediar a cobiçada corrida, esfriou. E o piloto holandês se tornou favorito a ser campeão.

O retorno das equipes e dos pilotos a Interlagos acontece após uma lacuna em 2020. Por causa do coronavírus, o Brasil ficou sem um GP de F-1 pela primeira vez desde 1973. A ausência no calendário coincidiu com uma “novela” sobre o futuro da prova brasileira, alvo de disputa entre a capital paulista e o Rio. O roteiro da história chegou ao fim em dezembro do ano passado, quando São Paulo renovou com a categoria por cinco anos, até 2025.

Até então, pairava uma incógnita sobre a corrida. O ano de 2019 havia sido de idas e vindas sobre o futuro do GP em SP, com direito a envolvimento até do presidente Jair Bolsonaro, que previa com “99% de certeza” de que a etapa seria transferida para o Rio. A negociação carioca, contudo, esbarrou nas dificuldades de se construir um autódromo no afastado bairro de Deodoro, principalmente quanto às licenças ambientais.

Se Bolsonaro puxava para um lado, o governador João Doria puxava para o outro. “La trás eu disse que São Paulo não perderia a F-1. Contrariei até o presidente da República. E agora a F-1 está em SP, e está por mais dez anos”, disse o governador paulista, na quarta-feira. O contrato da cidade com a F-1 é de cinco anos, renováveis por mais cinco. 

Nesta negociação surgiu a figura de Allan Adler, carioca com histórico de atleta olímpico e expertise em marketing. O empresário de 57 anos ajudou a cidade paulista a ficar com a F-1 e acabou substituindo Tamas Rohonyi na função de CEO do GP brasileiro. Tamas executara essa função por 30 anos. Com novo chefe, a etapa também ganhou um novo nome: saiu o GP do Brasil e entrou o GP de São Paulo.

“As expectativas são as melhores possíveis. Foi um ano difícil, nem sabíamos no começo do ano se teria GP. E depois se haveria público. E agora podemos comemorar 100% de público e com todos os ingressos já vendidos”, disse Adler, que prometeu novidades quanto ao marketing e entretenimento da etapa brasileira.

Novidades

O CEO da corrida brasileira aumentou em 20% a capacidade de público de Interlagos, podendo ter até 170 mil torcedores nas arquibancadas ao longo dos três dias de evento. “Foram feitas adaptações nas estruturas, aumentamos as existentes, construímos outras. Acreditamos no sucesso do evento pela demanda reprimida, pelo momento da F-1, e por termos mais jovens demonstrando interesse.”

Os fãs de automobilismo vão encontrar e Interlagos telões maiores, com o dobro do tamanho dos antigos, e um sistema de áudio profissional. Adler promete surpresas, uma delas deve ser um show musical em algum momento do fim de semana. “Teremos muito mais entretenimento do que tivemos em 2019”, garante o carioca.

Há novidade também na transmissão. O torcedor acostumado com as equipes da TV Globo agora vai ver a Band exercendo a função, embora com boa parte dos mesmos profissionais que buscou no canal concorrente. A Band promete cobertura mais intensa, principalmente na TV aberta, além da atuação da BandSports.

Na pista

Os holofotes estarão em Verstappen e Lewis Hamilton. O líder do campeonato costuma fazer boas apresentações em Interlagos. Se repetir a dose, sairá de São Paulo com uma mão no troféu. A temporada terá mais três etapas depois da brasileira.

O GP nacional tem interesse especial no calendário neste momento porque terá a chamada Sprint race, corrida realizada no sábado para definir o grid de largada de domingo. A disputa, além de esquentar a rivalidade na pista, coloca à disposição dos pilotos mais três pontos no campeonato. E, como a diferença entre holandês e inglês é de 19 pontos, cada posição é importante tanto no sábado quanto no domingo.   

Ídolos

​ A etapa deste fim de semana marcará também uma renovação de gerações. Enquanto o finlandês Kimi Raikkonen, da Alfa Romeo, vai se despedir de Interlagos como piloto de F-1, o alemão Mick Schumacher vai guiar no circuito pela primeira vez como titular do campeonato.

Raikkonen, de 42 anos, conquistou seu único título da F-1, em 2007, em Interlagos. E ainda contou com uma ajuda preciosa do brasileiro Felipe Massa, então seu companheiro de Ferrari. Na ocasião, Massa permitiu a ultrapassagem do finlandês para a confirmação do troféu da temporada.

Curiosamente, Raikkonen havia sido o escolhido para substituir Michael Schumacher, aposentado na Ferrari em 2006. Agora é a vez do filho Mick tentar seguir os passos do pai. Neste fim de semana, ele estreará em Interlagos como titular da Haas, numa temporada abaixo do esperado, mais por conta do fraco rendimento da equipe do que por seus deméritos. 

Tags: esporte F1 lewis hamilton
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