Geraldo Magela de Araújo: ele respira esporte

Desportista devotou a vida ao futebol.

Edmo Sinedino ,
Artur Dantas
Geraldo Magela ajuda a manter o Centro Desportivo de Cidade Satélite
Diretor do Centro Desportivo do Satélite, Geraldo Magela, 68, fez do apego ao esporte uma opção de vida. Com uma carreira marcada por atuações dentro e fora do campo, Magela vivenciou momentos únicos dentro do esporte. Membro de uma família de esportistas, Magela carrega até os dias atuais o legado esportivo deixado pelos tios, aficcionados por futebol e que fundaram o Cruzeiro de Macaíba em 1948.

Explicou a paixão pela pelota revelando que nasceu literalmente dentro de um campo, no município de Macaíba, em 1958. Com desprendimento e dedicação, continuou a desenvolver um forte trabalho fora das quatro linhas em prol do esporte amador. 

Como jogador, Magela fez parte do time fundado pela família no qual participou de jogos pela categoria infantil. Em 1958, deixou a cidade de origem e se dirigiu à capital em busca de uma vida melhor. Ainda dentro dos gramados, jogou pelo Botafogo da Av.7 e nas Rocas, pelo Racing, clube que ajudou a chegar à primeira divisão em um jogo contra o Estrela do Mar, no campo Senador João Câmara. 

Explicou que a maior glória conquistada como jogador do time das Rocas foi a vitória sobre o ABC, "time que tinha uma máquina de fazer gols", por 3 a 1. Em 1982, deixou as Rocas indo morar na Cidade Satélite. Em 1982, se juntou ao também jogador "João Galêgo" e decidiram formar um time de futebol para disputar pequenos torneios. Criaram o Serrano e o Botucatu simultânea a construção de um campo, que anos mais tarde se tornaria o Centro Desportivo do Satélite. 

Com muito desprendimento, consegui gramar o campo, a princípio de "barro duro". Em 2000, com a ajuda de Badeco, atleta que jogou pelo Lagoa Seca nos aos 50, conseguiu a concretização do sonho: a concretização do campo."Eu ficava até tarde da noite cuidando do campo, mas posso dizer que hoje nós temos o Maracanã de Natal", diz orgulhoso. Com uma preocupação social, desenvolveu dentro do Centro Desportivo do Satélite uma escolinha para 108 meninos, a maioria da comunidade do Satélite e do Planalto. 

Paralelo ao trabalho desenvolvido dentro do esporte foi funcionário da rede ferroviária, empresa que saiu apenas para a aposentadoria. Dentro da instituição foi escolhido para ser o treinador do extinto Ferroviário,clube que participou de importantes jogos na capital e no interior . Sob a presidência de Rui Barbosa,o clube passou 13 anos filiado à Federação norte-rio-grandense de Futebol (FNF). Explicou que para trazer jogadores para o time não dispunha de dinheiro em caixa e utilizava a renda obtida nas partidas para o pagamento dos atletas. 

Magela explicou que um fato estranho pôs fim ao Ferroviário. Em 1982, quando se preparava para um jogo contra o Baraúnas em Mossoró, o time se desfez. O então treinador explicou o acontecido na época. "Eu lembro que estávamos no treino de apronto pela manhã e eu saí para acertar a compra das passagens para o interior. Na volta, fui avisado pelo presidente do clube Rui Barbosa que a viagem não seria mais feita", revela. A desistência foi explicada pela falta de dinheiro para arcar com os custos e acabou dando a vitória do campeonato ao ABC, "uma história que até hoje não entendi", diz Magela. O professor explica que já foi chamado para treinar novamente o clube mas desistiu da idéia. 

No mesmo Ferroviário, ao lado de João Batista de Paiva, presidente, realizou um trabalho que ainda hoje é lembrado com muito carinho por ex-jogadores, torcedores e desportistas em geral. O mesmo João Batista de Paiva, que é considerado até o melhor presidente que já dirigiu a Fenat, antiga Fundação de Esportes de Natal, hoje Secretaria Especial de Esporte e Lazer do Município. 

Com muita determinação, seguiu no futebol até que um evento marcou a vida dos jogadores e do professor. Através de uma parceria com um time de futebol da Suíça, o Centro Desportivo do Satélite ganhou uma nova vida. Geraldo Magela revelou que o contato feito rendeu uma experiência boa de ambas as partes em especial aos garotos da comunidade que foram abastecidos de itens de treinamento como tênis, camisas, traves, bolas, entre outros.
Anualmente os jogadores suíços retornam ao campo para participar de treinamentos e recreação. 

Sobre a condição do esporte amador, Magela revela que as dificuldade enfrentadas não servem de empecilho para a comunidade. O professor contou que todos os recursos para a construção da sede, cuidados da grama e manutenção do Centro são captados na própria comunidade.
Magela revelou que alguns recursos obtidos tiveram a participação de pessoas de fora, mas aborrecimentos fizeram com que a ajuda externa passasse sob o aval dos moradores, que julgam a necessidade de recursos para o Centro. 

"Nesse ponto nós somos orgulhosos. Em um campeonato que fizemos aqui há alguns anos, Enildo Alves, uma pessoa que gosto muito e que tenho muito apreço, nos deixou na mão. Arcou com os troféus e medalhas e no dia da premiação, foi embora e levou todo o material. Por essas e outras que não aceitamos mais ajuda e procuramos fazer o trabalho com recursos internos", explica.
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