Françuar Fernandes nega ter tentado subornar colegas de profissão

Ele nega ter sido banido do futebol, garantiu que vai recorrer e quem o denunciou vai ser chamado a depor.

Edmo Sinedino, exclusivo para o Nominuto.com,
Cedida
Em entrevista exclusiva ao portal Nominuto.com o árbitro de futebol Françuar Fernandes nega que tenha tentado subornar colegas de profissão. O caraubense, envolvido em mais um escândalo do apito, se mostrou muito triste e decepcionado com os colegas “Adriano” e “Alberto” (João Alberto), esse último potiguar. Ele disse não entender porque os árbitros deixaram que fosse feita a sugestão de tentativa de suborno.

Françuar nega ter sido eliminado, como foi publicado no site Justiça Desportiva, assim como garantiu que vai recorrer da decisão que o suspende do apito. Ele disse inclusive que os árbitros que o denunciaram serão chamados a depor. “Quero ver se eles terão coragem de dizer na minha frente que eu fiz oferta de suborno”, desafia. Ele lamenta muito o acontecido, pois se diz vítima de “olhares atravessados”.

Eis a entrevista:

Nominuto.com - Quem é o árbitro Françuar Fernandes?
Françuar Fernandes - Meu nome é Françuar Fernandes da Silva, 46 anos, nasci em Caraúbas (RN). Fui árbitro de 1987 a 2008. na Federação Roraimense de Futebol. De 1995 a 1999 fiquei na Federação Amazonense. Entrei no quadro da CBF em 1989, portanto fiquei 19 anos de minha vida no quadro CBF. Fui o árbitro roraimense que mais apitou decisão de campeonato, mais apitou competições nacionais. Sempre me destaquei pela qualidade técnica e disciplinar, com uma vida dedicada à arbitragem. Tenho histórico nesta região e sempre fui respeitado pela imprensa e pelos companheiros de trabalho. Me dediquei a ajudar os mais jovens e sempre sendo um grande companheiro. Dentro e fora da arbitragem. Sou respeitado onde resido e meu estilo de arbitragem serve para muitos como modelo (desculpe a modéstia). Sou um pequeno empresário, tenho uma empresa de prestação de serviços de limpeza e conservação, principalmente com manutenção de campo de jogo dos estádios no estado.

NM - O senhor foi acusado de tentar subornar colegas de profissão. A acusação procede?
FF - Não procede.

NM - Se não procede, por que o senhor foi banido do futebol?
FF - Não fui banido. Fui julgado pela 2º Comissão do STJD, onde o processo está na Secretaria e recorri junto ao Pleno. O termo no artigo 241 do CBJD é eliminação. Quanto à acusação não existem provas, meu julgamento é meio bizarro. Não fui ouvido, quem me denunciou não foi ouvido e não tem testemunha. Sobre a acusação tenho certeza que o Adriano qui se promover, pois em nenhum momento ouve contato entre ele e eu. O fato de aparecer uma mensagens de celular dizendo que era eu não prova nada. É normal os árbitros se comunicarem quando são escalados. O João Alberto que também quis tirar proveito de uma situação me mandou e-mail dois dias antes que eu apitei aí em Natal, dizendo que queria conversar comigo, para que eu o procurasse. Esse e-mail consta nos autos do processo. Mas não fui denunciar o João por isso, acho normal, porém ele conversou comigo por telefone, quando estava ainda em Natal, pois liguei pra ele 4 dias antes dele chegar a Goiana e ele mandou uma carta ao Presidente Sérgio dizendo achar estranho eu procurá-lo. Ora, eu iria estar no mesmo período que ele em Goiás e apenas queria lhe cumprimentar e ele consentiu que eu o procurasse para almoçarmos juntos, eu estava a trabalho e não achei nada de mais encontrar com um colega que não via há bastante tempo. As pessoas querem se dar bem e não olham que podem acabar com a vida de um homem levando ao ridículo em pouco tempo. Porém Deus, eu, João e Adriano sabemos que eu jamais lhe propus algo desse gênero. Estou recorrendo e espero encontrar com ele no Tribunal para que eles digam na minha frente se de fato eu lhe fiz oferta de suborno.

NM - O senhor já testemunhou alguma tentativa de suborno?
FF - Não.

NM - O senhor já recebeu alguma proposta de dirigente para "fazer" um resultado?
FF - Não. Olhe, nunca vi arbitro fazer resultado. ele não joga. Ele pode até cometer erros, mas fazer resultado, não.

NM - O senhor diz que existe muita coisa suja no meio. O que o senhor teria para nos contar sobre essa afirmação?

FF - Quando terminar meu julgamento poderei falar sobre isso.

NM -  Quem faz vista grossa?

FF - Dou a mesma resposta: quando terminar meu julgamento poderei falar sobre isso.

NM - Voltando um pouco no tempo, o senhor acha que apenas Edilson Pereira de Carvalho esteve envolvido naquela máfia de resultados?
FF - Com certeza não, é tanto que foi punido outros, mas tinha alguém mais forte por trás, com certeza.

NM - O que o senhor tem a dizer sobre o episódio que envolveu Marco Polo Del Nero, presidente da FPF, e o árbitro Wagner Tardelli?
FF - Alguém quis se dar bem, acho que Tardelli não entraria nessa, o que acho estranho foi ele acatar muito passivo a decisão de lhe tirar o escudo FIFA. Sobre o sr. Marco Polo, ele não seria ingênuo o bastante pra algo dessa natureza.

NM - O senhor acha que durante a realização dos jogos das Séries A, B e C ocorrem subornos?
FF - Não.

NM - O senhor acha que a direção nacional de arbitragem, sindicatos e demais entidades se empenham em realmente esclarecer esses tipos de fatos?
FF - Muitos se limitam a ouvir, mas é bom investigar se houver denúncia.

NM - Sinta-se à vontade para contar outras coisas.

FF - Espero que isso possa esclarecer alguns fatos pedentes sobre este caso. Fui a Carubas no final do ano e a cidade estava em polvorosa com essas noticias, meu pai de 73 anos quase teve um enfarte com a notícia que de certa forma foi vinculada de forma que eu era um demônio. Ninguém tinha ouvido minha opinião sobre o assunto e precisei da minha família p'ra segurar a onda. Passei por maus bocados e precisei ser muito forte pra superar essa. Tem pessoas que me olham atravessado achando que eu sou culpado, e eu pergunto: Por que essas pessoas fizeram isto comigo? Conversando com Luiz Gustavo, da Folha de São Paulo, ele achou muito estranho como foi conduzido o julgamento e disse que investigou minha vida na CBF e nada tinha em minha ficha. Como de repente em final de carreira iria eu virar esse bandido?  Estarei à disposição, sabendo da minha inocência e que Deus na hora certa mostrará a verdade. Mandei e-mail pro João e Adriano dizendo que eu os perdoei, de coração, porém não sei se eles se perdoaram por ter me feito essa.

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