‘Consórcio foi lesado, o Estado também foi lesado’, diz Cipriano Maia sobre calote dos respiradores

Secretário estadual de saúde disse que não havia condições de analisar empresa para compra de equipamentos.

Flávio Oliveira,
Reprodução
Secretário Cipriano Maia disse que estão sendo tomadas todas as medidas para reaver os R$ 5 milhões da compra dos respiradores.

O secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, a exemplo da governadora Fátima Bezerra (PT), também admitiu que o Rio Grande do Norte sofreu um calote na transação de quase R$ 5 milhões para a compra emergencial de respiradores mecânicos por meio do Consórcio Nordeste. Em entrevista ao Jornal 96 na manhã desta segunda-feira (16), o gestor declarou que na ocasião dos repasses dos recursos para o Consórcio não havia como o Estado verificar a credibilidade da empresa.

“O Estado aderiu e o Consórcio foi lesado pela empresa. Então não tem nenhuma responsabilidade do Governo do Estado nesse sentido. Naquele momento nós não tínhamos as condições normais para estar analisando empresa. Quer dizer, a gente aderiu a um movimento de compra do Consórcio comandado pela Bahia e o Consórcio foi lesado, o Estado também foi lesado e estamos na luta para recuperar esses recursos”, afirmou Cipriano Maia.

O secretário buscou justificar a transação à falta de apoio do governo federal e à dificuldade para conseguir os aparelhos diante da pandemia da covid-19. “O que ocorreu foi que naquele momento todos os estados, diante da inércia da União em comandar nacionalmente um processo de apoio aos estados e assegurar insumos básicos e assegurar equipamentos, os estados todos entraram em uma corrida desesperada para adquirir respiradores, que eram tidos naquele momento como equipamentos essenciais para salvar vidas”, disse.

“Surgiu a oportunidade pelo Consórcio de uma aquisição internacional, comandada pelo Consórcio, sob a liderança do Governo da Bahia, e ofertava essa oportunidade para os estados. O estado [RN] lógico que aderiu porque para comprar diretamente era impossível. Vocês se lembram que teve uma compra aqui do Governo Cidadão de 14 respiradores que era anterior à pandemia e que ela foi retida pelo Ministério da Saúde. Teve-se que entrar na Justiça para que essa entrega ocorresse muitas semanas depois”, explicou.

Cipriano Maia disse ainda que acredita na recuperação dos recursos perdidos. “Isso não depende de esperança, depende de ação. Estão sendo todas as ações possíveis, inclusive com operação policial pelo Governo da Bahia, com investigação, acreditamos que vamos sim em algum momento recuperar esses recursos”, declarou.
Confira a entrevista:


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