UnB expulsa 15 alunos e cassa dois diplomas após apurar fraudes em cotas raciais

Investigações tiveram início em 2017 após denúncias de um grupo de ativistas negros.

Da redação,
UnB

Após identificar fraude no sistema de cotas raciais, a Universidade de Brasília (UnB) decidiu expulsar 15 estudantes e cassar dois diplomas de graduados em Direito. Outros oito alunos, que haviam sido afastados, tiveram créditos anulados.

As investigações começaram em 2017, quando um grupo de ativistas negros e estudantes da própria universidade enviaram uma lista com nomes de supostos fraudadores. A reitora da instituição, Márcia Abrahão, assinou as expulsões, cassações e anulações na segunda-feira (13).

Dos 15 alunos expulsos, oito cursavam direito ou medicina. Veja:

  • quatro estudantes de direito;
  • quatro estudantes de medicina;
  • três estudantes de ciências sociais;
  • um estudante de letras – francês;
  • um estudante de ciência da computação;
  • um estudante de engenharia de software,
  • um estudante de medicina veterinária.

A UnB afirma que, antes das decisões serem tomadas, todos os alunos tiveram direito à ampla defesa e ao contraditório. A instituição coloca à disposição a ouvidoria e as direções dos cursos para novas denúncias de fraude.

USP também expulsa aluno por fraude em cota racial

A Universidade de São Paulo (USP) anunciou que o aluno de Relações Internacionais Braz Cardoso Neto foi expulso nesta segunda-feira (13), após denúncias de fraude em cotas raciais e sociais. É o primeiro na história da universidade. Neto também não pode se matricular na instituição nos próximos cinco anos, de acordo com o Regimento Geral da Universidade. Ele ainda pode recorrer da decisão. O caso pode parar na Justiça.

Para ingressar na USP por meio de cotas, Cardoso se autodeclarou como pertencente do grupo de Preto, Pardos e Indígenas (PPI) e também disse ter uma renda mensal que não conseguiu comprovar autenticidade. A denúncia foi feita por um coletivo negro formado por alunos de Relações Internacionais da USP.

As denúncias de fraudes na autodeclaração de pertencimento ao grupo PPI do vestibular são analisadas pela Comissão de Acompanhamento da Política de Inclusão da USP, que é uma instância ligada à Pró-Reitoria de Graduação da Universidade. Essa instância analisa a denúncia e determina a instauração de sindicância ou processo especificamente para esse fim, explicou a universidade por meio de nota. Os relatórios resultantes dessas comissões são classificados como documentos sigilosos.

“A USP adota a reserva de vagas para alunos de escolas públicas e autodeclarados PPI desde o vestibular de 2018. No ano seguinte, em 2019, a universidade teve mais de 40% de alunos matriculados oriundos de escolas públicas e, dentre eles, 40,1% na modalidade PPI, o maior índice alcançado pela USP nos últimos anos. Em 2020, essa porcentagem foi equivalente a 47,8% do total de ingressantes, dos quais 45,6% PPI. Para 2021, 50% das vagas de cada curso de graduação e turno estão reservadas para candidatos egressos de escolas públicas (EP) e PPI”, diz nota da USP.

Tags: Cotas raciais
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