Governo investe mais de R$ 3 milhões para alfabetizar 2.500 agricultores

Ações foram finalizadas no início do mês de março deste ano e a expectativa é que os certificados sejam entregues em breve.

Da redação, Governo do Estado,
Assecom/Governo Cidadão

Às vésperas de 15 de outubro, Dia do Professor, o alfabetizador Adeilton Rossetti tem muito a comemorar. Ele foi um dos 100 responsáveis por alfabetizar cerca de 2.500 agricultores e agricultoras em 28 municípios do RN.

A iniciativa do Governo do Estado contou com a aplicação de recursos de mais de R$ 3 milhões, viabilizados pelo empréstimo junto ao Banco Mundial, por meio do Projeto Governo Cidadão e da Secretaria de Estado da Educação (SEEC). As ações foram finalizadas no início do mês de março deste ano e a expectativa é que os certificados sejam entregues em breve.

“É muito gratificante poder ajudar a essas pessoas que já lutaram tanto pela vida, pela família, e hoje estão descobrindo oportunidades, enxergando o mundo de outra forma, como a leitura e a escrita possibilitam”, disse Adeilton, analisando cada uma das experiências com seus nove alunos da Comunidade de Resistência Gregório Bezerra, em Ielmo Marinho.

“Nada traz mais felicidade para um gestor - e particularmente pra mim, que sou professora - do que investir em Educação. Não estamos apenas ensinando a escrever e ler, o que já tem uma importância grandiosa. Essa é uma ação de um conjunto de iniciativas voltadas ao trabalhador rural, que para além do pedagógico, busca ainda o desenvolvimento rural sustentável”, destacou a governadora Fátima Bezerra.

Por lá, o dia-a-dia é marcado por muito trabalho no roçado, na limpeza do terreiro, no cuidado com os animais ou na cozinha. Cada um dos assentados tem sua responsabilidade. Em um Estado onde são contabilizados 403,5 mil analfabetos e, destes, 85% têm entre 50 e 70 anos, surgiu neste assentamento um desejo comum, além de garantir o sustento pela agricultura familiar, o de adquirir conhecimento.

Uma das beneficiárias foi a dona Maria José de Andrade, de 67 anos. Trabalhando na roça desde os seis anos de idade, a macaibense nunca frequentou uma escola e sequer sabia escrever seu nome. Hoje, a realidade é outra.

“Na época em que eu deveria ter ido para a escola, meus pais não ligavam para o estudo. Eles achavam eu tinha que estar com eles na plantação. Depois eu cresci e, mesmo podendo tomar as minhas próprias decisões, vieram os filhos para criar. Fiquei sem tempo. Mas só eu sei o que a falta de estudo me custou”, contou Maria, falando da dificuldade que tinha, até pouco tempo, de ir a um banco para fazer seus pagamentos. E completou: “Nunca é tarde para aprender; agora já assino meu nome e leio frases inteiras”.

As turmas de alfabetização ainda contaram, cada uma delas, com um técnico agrário que, assim como o alfabetizador, foi capacitado pela Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do RN (Funcern). Nesta turma, em específico, a técnica Jaqueline Rosseti ficou responsável por trabalhar as boas práticas na terra para que esses trabalhadores pudessem tirar – cada vez mais – bons frutos.

“Essa foi uma das maiores experiências profissionais que tive. Pegamos alunos que não sabiam lidar com a terra, mas tinham instintos incríveis. Fomos lapidando e hoje eles têm muito conhecimento para por em prática e tirar o sustento de seus pedaços de chão”, disse Jacqueline, destacando ainda que, além de terem contato com práticas exitosas para a agricultura familiar, aprenderam sobre a verdadeira alimentação saudável.

“Estamos falando de jovens, adultos e idosos trabalhadores do campo, em mais de 80 comunidades no RN, que estão recebendo dignidade em forma de educação. Algo que é direito de cada um deles, e nosso dever como gestores, com foco na queda do índice de analfabetismo no Estado”, disse o secretário de Gestão de Projetos e Metas, Fernando Mineiro.

De acordo com Mineiro, o secretário de Educação do RN, Getúlio Marques, pontuou que a ação se trata de uma oportunidade que, ao longo da vida, foi negada às trabalhadoras e trabalhadores rurais. “Essas mulheres e homens estão tendo a chance de serem alfabetizados e qualificados profissionalmente, deixando ainda bons frutos em nossa rede e ampliando a oportunidade de inserção dos agricultores familiares na economia do Estado”, finalizou.

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