Governo de SP adia volta às aulas para 7 de outubro, mas dia 8 de setembro é opcional

Regiões que já estão em fase amarela há mais de 28 dias, como a capital paulista, podem abrir antes; decisão ajuda escolas particulares.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Arquivo/Agência Brasil
SP vai permitir que as instituições que estão em regiões já na fase amarela há mais de 28 dias possam reabrir seus espaços.

SELO-CORONA-100O governo de São Paulo adiou para 7 de outubro a volta às aulas no Estado todo, mas vai permitir que as instituições que estão em regiões na fase amarela há mais de 28 dias possam reabrir seus espaços no dia 8 de setembro. A informação foi confirmada pelo governador João Doria, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (7).

As escolas poderão decidir se querem ou não voltar a funcionar nesses lugares. O modelo vai favorecer instituições particulares, que já se declaram prontas para funcionar, e têm feito pressão para a abertura. O retorno opcional, segundo o governador, deve ser feito em consulta com pais e estudantes.

A abertura dia 8 de setembro deve respeitar o limite de alunos em sala de aula, com apenas 35% da escola, e protocolos sanitários, como já havia sido divulgado pelo governo. Inicialmente, a data seria 5 de outubro, mas pouco antes de a coletiva começar o governador decidiu em reunião com as áreas da saúde e educação que as aulas voltariam dois dias depois para "dar mais segurança". Ele também anunciou a compra de 12 milhões de máscaras, 300 mil face shields, 10 mil termômetros e 10 mil totens de álcool em gel para as escolas. 

O prefeito Bruno Covas (PSDB) não pretendia abrir as escolas em 8 de setembro. Há uma discussão sobre se as particulares teriam a liberdade de abrir na capital com essa decisão do Estado ou não. Na prática, elas precisam de uma licença da prefeitura para funcionar. A capital paulista foi classificada na fase amarela no dia 26 de junho.

Em pesquisa feita pela Prefeitura, 80% dos pais da rede municipal disseram que não pretendem mandar os alunos para as escolas em setembro. Escolas particulares também estão consultando os pais e, em geral, as pesquisas indicam maioria que quer voltar, principalmente nas que atendem famílias de elite. No Colégio Dante, por exemplo, 60% defendiam a retomada.  Cidades do ABC, também na mesma fase, já declararam que só voltarão às aulas no ano que vem.

O novo plano para abertura de escolas foi apresentado nesta quinta-feira, 6, pelo secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, ao Centro de Contingência Contra a Covid-19. A regionalização da abertura das escolas já era discutida no governo há algum tempo, mas a área da educação defendia que ela levaria a mais desigualdades educacionais porque escolas públicas não abririam. A ideia agora é que as escolas que puderem abrir antes comecem com atividades de reforço e acolhimento dos alunos.

Rossieli afirmou que os dias 5 e 6 de outubro será reservado para o planejamento e integração das equipes nas escolas. Na sexta-feira anterior, 2 de outubro, será divulgado o mapa atualizado da epidemia no Estado. Ele reforçou que cada escola, das redes pública ou privada, poderá optar pela abertura regionalizada ou não, em até 35% da capacidade de alunos da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental; e de até 20% para estudantes nos anos finais do fundamental e no ensino médio.

O secretário ainda alertou que o período em que as escolas permaneceram fechadas teve um grande impacto no aprendizado, por mais que as aulas remotas tivessem continuado. “Nós não podemos perder de vista isso. Proteger vidas, mas ao longo do tempo isso também é colocar a educação no centro do debate”, afirmou, citando não só o impacto geracional dos estudantes, mas também os efeitos que o afastamento das aulas impõe à saúde mental dos alunos.

Com a nova regra, o governo deixa a decisão de abertura na mão dos municípios e até dos diretores de escolas, que podem sofrer pressão dos pais para voltarem. Na rede pública, sindicatos de professores defendem que as escolas só retornem quando houver uma vacina para o coronavírus.

Bruno Caetano, secretário municipal de Educação, deixou claro que a retomada das aulas na capital está sujeita ao aval da saúde e anunciou a construção de 26 novas escolas municipais para que não haja “problemas de vagas”.

A Prefeitura ainda confirmou a compra de 2,4 milhões de máscaras em tecido para os alunos e a entrega de kit individuais com sabonete, álcool em gel e uma caneca, para que não haja compartilhamento desses itens na volta às aulas presenciais. Também foram encomendados 500 mil novos livros com os conteúdos do currículo municipal, que contará com dois a três meses de atividades remotas para as escolas.

Estão na fase amarela atualmente as regiões de Araraquara e Baixada Santista, além da capital e sub-regiões Leste, Oeste, Sul e Sudeste da Grande São Paulo. Na coletiva, Doria anunciou que nove regiões de saúde do Estado progrediram para a fase amarela do Plano São Paulo nesta 10ª atualização, que estipula regras para a próxima quarentena que vigora até o dia 23. São elas: Araçatuba, Bauru, Campinas, Marília, Piracicaba, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista, Sorocaba e Taubaté.

Ao todo, 86% da população do Estado está em áreas localizadas em áreas já classificadas na fase amarela do Plano São Paulo, o que equivale a cerca de 15 milhões de habitantes.

Até então, a retomada estava condicionada à permanência de todo o Estado na fase amarela da quarentena por 28 dias. Um decreto previa que, nos primeiros 14 dias, áreas que representem 80% da população do Estado precisariam estar classificadas nessa fase. Nos 14 dias subsequentes, a totalidade do território estadual teria de estar classificada dessa forma.

Tags: covid-19 novo coronavírus pandemia São Paulo volta às aulas
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