Temor de calote da chinesa Evergrande derruba Bolsas mundiais

Ibovespa perde mais de 3 mil pontos; ações da Petrobras, Vale e CSN registram fortes quedas.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Rerprodução/Twitter
Banco suíço Swissquote alerta para o risco de contágio para outras empresas do setor imobiliário no caso de um calote da Evergrande.

O medo de um calote da gigante do setor imobiliário chinês Evergrande e potenciais efeitos na economia da China mexem com Bolsas de Valores de todo o mundo e provocam um movimento de fuga de risco, com queda do petróleo e alta do dólar ante o real e outras divisas, nesta segunda-feira (20). 

O banco suíço Swissquote alerta para o risco de contágio para outras empresas do setor imobiliário no caso de um calote da Evergrande, que tem dívidas de mais de US$ 300 bilhões e só nesta viu suas ações caírem para o menor nível em 11 anos. Segundo a instituição, a companhia "deve entrar em default (calote) nesta semana e analistas têm advertido" para o potencial disso "sacudir os mercados financeiros".

A Capital Economics diz, em relatório enviado a clientes, que as repercussões do "caso Evergrande" para o resto do mundo estão crescendo, mas avalia que a turbulência ainda não chegou à escala de "sustos" anteriores na China, como a guerra comercial com os Estados Unidos em 2018 e 2019 ou a desaceleração da economia do país asiático em 2015 e 2016.

Às 16h24, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, estava nos 107.938,13 pontos, queda de 3,14% em relação ao fechamento de sexta-feira, aos 111.439,37 pontos. Na mínima do dia, o índice chegou aos 107.520,14 pontos. Já na abertura do mercado, o índice perdeu os 109 mil pontos - nível visto pela última vez no início de março. O dólar à vista subia 1,36%, cotado a R$ 5,3542 - na máxima, a moeda bateu em R$ 5,3772, alta de 1,8%.

Em Nova York, às 16h29, o índice Dow Jones e o S&P 500 cediam 2,40%, Nasdaq perdia 2,97%. Na Europa, as Londres fechou em queda de 0,79%, Frankfurt perdeu 2,31% e Paris, 1,74%. A Bolsa de Hong Kong fechou em baixa de 3,3% sob efeito da Evergrande, enquanto os mercados acionários da China, do Japão, da Coreia do Sul e de Taiwan não operaram em função de feriados.

Na B3 a perda praticamente generalizada é puxada pelas ações de commodities. A Vale ON  caía mais de 5%, espelhando a queda de 8,80% nos preços do minério, cotado a US$ 92,98 a tonelada  - abaixo dos US$ 100 pela primeira vez em mais de um ano. CSN ON também recuava, 6,38%.

Entre as maiores perdas do Ibovespa, PetroRio cede 8,72%, à frente de Braskem (-6,95%) e de Via (-7,09%). As perdas entre os grandes bancos chegam a 4,28% (Bradesco ON), enquanto Petrobras ON e PN perdem respectivamente 2,90% e 3,73% na sessão.

"O mercado está cauteloso, se preparando para o pior. Se não acontecer nada, melhor", avalia o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria. Segundo ele, a reação dos mercados é porque os investidores sentem que podem ter algum contágio tanto por meio do setor financeiro quanto por parte da dívida com estrangeiros, num momento em que a China dá sinais de desaceleração, com queda de commodities, o que afeta países como o Brasil.

A Evergrande já avisou credores que não conseguirá cumprir os pagamentos de juros da dívida com vencimento nesta segunda. "O mercado de crédito da China é muito ligado ao imobiliário, e a situação da maior construtora local poderia causar um temor ainda maior, contaminando outros setores como o financeiro", escreve em nota Julia Aquino, especialista em investimentos da Rico Investimentos. Além disso, a China, a maior importadora de minério do mundo, segue impondo restrições à produção de aço no país, acrescenta.

Apesar dos temores, a agência classificadora de risco S&P Global Ratings afirma que um eventual calote da Evergrande não gerará uma onda de falências nem terá repercussões leves, mas gerará uma situação intermediária.

Além da cautela com as questões relacionadas à China, o mercado também espera pela reunião de política monetária dos Estados Unidos, na próxima quarta-feira, 22. Em meio a dados com resultados mistos no país, a grande dúvida de investidores é quanto a uma indicação sobre a retirada dos estímulos à economia, o chamado tapering.

Tags: calote China Evergrande
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