Setor de automóveis torce que redução do IPI seja prorrogada

Concessionárias tiveram crescimento de 20% nas vendas nos últimos meses.

Zenaide Castro,
No dia 4 de março, o ministro do Desenvolvimento Econômico, Miguel Jorge, admitiu a possibilidade de prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), prevista inicialmente para vigorar até o dia 31 de março.

Entretanto, a decisão ainda está sendo analisada pelo Governo Federal. Existe a possibilidade de prorrogação do prazo por mais três meses, devido ao reaquecimento que a medida vem provocando no setor de veículos, mesmo em meio à crise financeira mundial.

O IPI foi reduzido no início de dezembro, de 7% para zero, no caso dos veículos 1.0, e de 13% para 6,5% (nos modelos a gasolina) e de 11% para 5,5% (nos movidos a álcool e flex) nos carros com motor até 2.0.

A comercialização de automóveis e comerciais leves manteve-se praticamente estável no mês de fevereiro, segundo balanço divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores - Fenabrave.

De acordo com a associação, os emplacamentos apresentaram 0,85% de crescimento sobre janeiro deste ano. Na comparação com fevereiro de 2008, a diferença é ainda menor: vantagem de 0,15% para fevereiro de 2009.

O economista Marcos Alves avalia como salutar a possibilidade de prorrogação do IPI, como forma de manter o nível de emprego no setor automobilístico. "A indústria de automóveis é o que chamamos de indústria de arrasto, ou seja, traz para o seu ambiente outras atividades que se vinculam a ela", explica o economista.

Nesse caso, a indústria "arrasta" outras, como a de pneus, plásticos, vidros, estofados e combustíveis, para citar algumas.

Ele opina que a redução dos impostos deveria ser ampliada para outros setores da economia. "Isso iria ajudar as classes média e média-baixa a ampliar o seu poder de compra, já que o momento, agora, é de estimular o consumo para que possamos superar a crise".

Na sua visão, o maior empecilho ao desenvolvimento do país tem sido a alta carga tributária. E afirma: "É nos momentos de crise, como a que estamos vivenciando, que aparecem as grandes oportunidades. Os políticos deveriam aproveitar essa crise para analisar e propor uma reforma nas alíquotas, que são tão agressivas. Não há necessidade de uma reforma constitucional para mexer nas alíquotas".

Marcos Alves cita o relatório do Fundo Monetário Internacional que coloca o Brasil como o segundo país, entre os países emergentes, que mais está sofrendo com a crise, ficando atrás apenas da Coréia do Sul.

"Há alguns meses eu não acreditava na proporção que essa crise alcançaria. Isso levará tempo até que o equilíbrio financeiro mundial se restabeleça", afirma

Redução do IPI reaquece as vendas

Até amanhã (15) as duas concessionárias da General Motors em Natal estão realizando um feirão de veículos no pátio de um shopping. As vendas não apenas no feirão como também nas lojas estão tão satisfatórias que já começa a faltar carros. Principalmente os modelos com valores até 50 mil reais e acima de 100 mil reais.

Para o gerente de vendas de veículos novos da Natal Veículos, Paulo Henrique Campos, houve uma recuperação do mercado do mês de dezembro para cá por causa da redução do IPI. "Se o governo não tivesse tomado essa atitude, teríamos tido um dos piores períodos de vendas dos últimos tempos", afirma.

Nos meses de janeiro e fevereiro deste ano a Natal Veículos teve um crescimento de 20%, enquanto no mesmo período do ano passado o volume de vendas ficou em 17%. Em decorrência da crise, iniciada no segundo semestre de 2008, a indústria automobilística recuou a produção e não teve como repor imediatamente os estoques quando veio a redução do IPI, reaquecendo o mercado.

Outro fator que fez parar a produção foram as férias coletivas das fábricas. Segundo Paulo Henrique, caso o governo decida prorrogar a redução do IPI o setor poderá crescer de 2 a 3% este ano. "É o que estamos ansiosamente aguardando", conclui.

*Matéria publicada no jornal Nasemana - Edição 51 - de 14 a 20 de março de 2009
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