RN retomará em agosto negociações com a China para exportação de melão

Devido ao período chuvoso no Estado, primeiras amostras ainda serão enviadas.

Fátima Elena Albuquerque,
Reprodução
Segundo Luiz Barcellos, primeiras amostras de melão só devem ser enviadas à China quando encerrar o período chuvoso no RN.

O Rio Grande do Norte deve retomar no mês de agosto as negociações com a China para a exportação de frutas. Em outubro do ano passado, o setor de fruticultura havia fechado um acordo para abertura do mercado chinês à produção de melão potiguar, com expectativa de geração de 10 mil novos empregos diretos a partir deste ano até 2022. Mas, diante da pandemia do novo coronavírus, o processo, que teve início em janeiro, foi suspenso e as primeiras amostras do fruto só devem ser enviadas ao país asiático quando encerrar o período chuvoso no Estado.

De acordo com o Presidente da a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Fruticultura do MAPA, e do Comitê Executivo de Monitoramento da Mosca das Frutas (Coex), o empresário Luiz Barcellos, os plantios estão sendo retomados, mas a programação de vendas sofreu um atraso. “Já estamos plantando e a colheita terá início em meados do mês que vem, ou seja, daqui a uns 40 dias, tomando todos os cuidados para que a gente não tenha contaminação dentro das áreas de produção. Fizemos uma cartilha junto com a Sesap e desenvolvemos procedimentos com base nas sugestões do Ministério Público do Trabalho”, afirma.

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O empresário explica que o consumo de frutas não está sendo muito afetado nesse período de pandemia e, no caso do melão, os meses de março a junho, no RN, representam o período de entressafra, por ser uma época de chuva na região. “Tivemos uma sorte tremenda e Deus nos ajudou. Independentemente da pandemia, os produtores já reduziriam bastante a produção nesse momento”, destacou.

Segundo Luiz Barcellos, um dos pontos que precisa de atenção e que tem preocupado o setor da fruticultura, no tocante às exportações, é a vulnerabilidade do porto de Natal, que tem sido usado como rota para o tráfico internacional de drogas. “Hoje, estamos na situação de não ter um scanner [para fiscalização dos contêineres]. E ele é obrigatório. Daqui a pouco, o porto pode ser descredenciado e os navios não poderem mais vir para cá [RN]. Isso seria muito ruim para o Estado”, pondera.

Quanto às expectativas para um cenário pós-pandemia, o empresário se diz otimista, especialmente diante da retomada das atividades econômicas. “Os juros mais baixos da história do Brasil, que estamos vendo hoje, estimula a economia. Qualquer empresário que deposita seus recursos financeiros e esforços no seu negócio não podia aceitar os níveis de juros que se tinha. Não fazia sentido trabalhar feito um doido, gerar emprego e ter uma rentabilidade menor do que uma pessoa que deixa simplesmente o dinheiro aplicado no banco e, sem fazer nada, ganha mais do que quem está trabalhando. Não é sustentável”, avalia.


Confira a entrevista:


AMS

Tags: China exportações Luiz Barcellos melão negociações pandemia
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