Renato Garcia: "Brasil sairá fortalecido com a crise"

Consultor de investimentos tem visão otimista quanto aos efeitos da crise econômica.

Marília Rocha,
Fotos: Vlademir Alexandre
Garcia: "Vamos receber turistas por causa da valoriação do dólar"
Em entrevista ao Nominuto.com, o consultor de investimentos Renato Garcia afirma que a crise dará uma nova visão para investimentos no Brasil nos próximos anos e aponta setores beneficiados com a crise nos próximos meses.

Renato Garcia é ex-secretário de Turismo do Estado e ex-secretário adjunto do Desenvolvimento Econômico do Estado. Participou dos conselhos administrativos do Sebrae/RN, Agência de Fomento - AGN, Potigás e do Conselho de Desenvolvimento de Ciênticia e Tecnologia.


Nominuto - Qual o setor mais afetado pela crise?

Renato Garcia -
Acho que o setor mais afetado positivamente com a crise será o turismo. Vamos receber turistas nacionais por causa da valorização do dólar, que afastou as pessoas de viagens ao exterior.

Quem tem dinheiro reservado e férias programadas vai continuar viajando e Natal é um dos principais destinos do Brasil.

O turismo internacional também será destaque. Apesar da Europa está em crise, mesmo assim, vamos ver uma quantidade de turistas europeus. Esse impacto é positivo para a alta estação, com a cidade recebendo um fluxo maior de turistas a partir do fim do ano.

NM - Os produtos importados sofrerão reajustes?

RG -
O comércio de importados deve sofrer um pouco, com alteração de preços, dependendo da postura do empresário. Se ele pensar na reposição da capital de giro, mesmo que ele tenha feito a compra de produtos de forma mais barata, ele vai vender mais caro. Talvez não 100%, mas os produtos terão reajuste sim.

NM - E o setor de carros? Produção, comercialização, quais os prejuízos?

RG -
O setor automobilístico vai sentir os resultados da crise a longo prazo. Os empresários vão esperar um determinado tempo para ver a variação do dólar.

Sobre a comercialização de carros, as vendas vão cair, porque os lojistas definiram preços de carros há dois anos, quando o dólar era mais barato. Mas na verdade, a queda nas vendas de carros é psicológica. As pessoas estão com medo e pararam de comprar, mas a economia continua aquecida, não há desemprego, isso tudo é efeito psicológico da crise.

NM - Cada vez mais bancos estão participando de processos de fusão e aquisição. Na sua opinião qual o resultado disso?

RG -
Acho que esse movimento de bancos é sadio. Eu não vejo porque os bancos vão mudar as tarifas, reduzir tarifas, como se comenta. As demissões poderão acontecer sim, pela duplicidade de funções, geralmente de diretoria. Mas o número dos funcionários das agências permanece o mesmo. Até porque já trabalham no limite de capacidade de seus clientes.

O sistema bancário brasileiro é sólido, com lucro. As fusões e aquisições são movimentações naturais do mundo e acontece o tempo todo.

NM - E a construção civil? Quais os reflexos da crise?

RG - Não deve haver grandes mudanças para esse ano. Com a demanda atendida, mais unidades pra vender, renda e condições existentes, a construção civil continua vendendo. Um pouco menos, se o índice de crescimento ia atingir 25% ao ano pode cair para 20% ou 18%, mas o déficit habitacional representa 130 mil unidades habitacionais. A necessidade da casa não desaparece com a crise econômica.

 
"Próximo ano será difícil para Europa e EUA, mas em 2010 situação será melhor"
Os financiamentos, as taxas de juros e prazos continuam os mesmos e a renda continua aumentando, com mais de 3% de variação. O que poderá acontecer, com algumas construtoras que não estavam preparadas, são problemas de caixa. Mas o ritmo de construção e produção devem continuar os mesmos.

NM - No geral, qual a sua visão sobre a crise econômica?

RG - Tenho uma visão otimista e acho que o Brasil sairá mais fortalecido com a crise. Após a economia voltar à normalidade, o que deve acontecer em dois anos, o país será beneficiado.

O próximo ano será um ano difícil para a Europa e Estados Unidos, mas em 2010 a situação será melhor. Quando tudo clarear, vai ficar muito patente que o Brasil é um país muito mais seguro do que eu era há cinco ou dez anos, porque vai ter passado por uma prova de fogo.
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