Petrobras fecha o segundo trimestre com prejuízo de R$ 2,7 bilhões

Número representa uma melhora no prejuízo de R$ 48 bilhões do trimestre anterior.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Com pandemia e colapso dos preços do petróleo, vendas da Petrobras caíram 29,9% na comparação anual.

A Petrobras reportou uma prejuízo de R$ 2,7 bilhões no segundo trimestre de 2020, destacou a empresa em balanço divulgado no começo da noite desta quinta-feira (30). O dado representa uma melhora ante o prejuízo de R$ 48 bilhões do trimestre anterior. No segundo trimestre de 2019, a empresa havia reportado lucro líquido de R$ 18 bilhões. O prejuízo líquido da empresa no primeiro semestre foi de R$ 51 bilhões, contra lucro de R$ 22 bilhões em igual período do ano passado.

A empresa conseguiu reduzir o prejuízo principalmente "devido à ausência de impairments no trimestre e ao ganho proveniente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins após decisão judicial favorável, que teve um efeito de R$ 10,9 bilhões no resultado", disse a empresa.

Excluindo esses fatores, o resultado teria sido pior por causa da covid-19 e seus impactos na operação, que prejudicaram os preços, margens e volumes. Neste cenário, a empresa teria apresentado prejuízo de R$ 13,7 bilhões.

No trimestre, o item não recorrente que se destacou foi a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins após ganho judicial, com impacto positivo de R$ 7,2 bilhões no Ebitda Ajustado e de R$ 10,9 bilhões no lucro líquido.

O Ebitda Ajustado caiu 33% na comparação trimestral e 23,5% na comparação anual, para R$ 24,98 bilhões. Segundo a empresa, o movimento foi influenciado pela queda do petróleo tipo Brent em reais, a alta volatilidade do mercado de óleo e gás e a contração da demanda global, que levou à redução nas margens de óleo e derivados. "O volume de vendas também foi impactado negativamente".

"Também tivemos maiores despesas operacionais relacionadas a hedge e implementação dos planos de demissão voluntária. Esses fatores foram parcialmente compensados pelo ganho com a equalização relativa aos AIPs da área de Tupi e dos campos de Sépia e Atapu e por menores gastos gerais e administrativos", disse.

Choque

A receita de vendas no período foi de R$ 50,89 bilhões, queda de 29,9% na comparação anual, e de 32,6% na comparação trimestral. Segundo a empresa, o resultado veio com a pandemia e o colapso dos preços do petróleo resultantes das negociações da a OPEP+.

O presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, afirmou em Mensagem do Presidente que acompanha o balanço, que o choque de liquidez decorrente da queda do preço de petróleo no período "exerce um efeito similar ao de uma ataque cardíaco". Segundo o executivo, o preço da commodity saiu de um patamar de US$ 65 por barril em fevereiro para US$ 19/b em abril, devido à contração de 25% da demanda global, "ameaçando uma parada súbita nos fluxos de caixa".

Dívida

A dívida líquida da Petrobras no segundo trimestre de 2020 caiu 14,9% na comparação com igual período de 2019, para US$ 71,22 bilhões. Os números foram divulgados pela companhia há pouco, em balanço enviado à CVM. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a dívida líquida caiu 2,6%.   

A empresa explicou que a pandemia, "evento sem precedentes" e que teve forte efeito sobre os preços do petróleo e a atividade econômica, forçou o grupo a tomar medidas conservadores para preservar a posição de caixa. Com isso, a dívida bruta aumentou 2,2% devido ao aumento em financiamentos, para US$ 91,2 bilhões. Apesar do cenário, o custo médio da dívida permaneceu estável em 5,6% em 30 de junho de 2020.

Tags: Economia Petrobras
A+ A-