Paulo Guedes volta a defender congelamento de salário de servidores

Em videoconferência com parlamentares do DEM, ministro fez alerta para risco de deflação no Brasil.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Paulo Guedes defende que economia obtida com congelamento de salários dos servidores será equivalente a eventuais cortes salariais.

SELO-CORONA-100O ministro da Economia, Paulo Guedes, fez neste domingo (5), um alerta para o risco de deflação no Brasil em função da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Em videoconferência com parlamentares da bancada do DEM no Congresso, Guedes afirmou, conforme fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, que os salários de servidores públicos não devem ser cortados.

"Há risco deflacionário, portanto, não devemos cortar salário de funcionários públicos", disse Guedes aos parlamentares. "O presidente (Jair Bolsonaro) nem aceita falar disso, mas o setor público tem de dar o exemplo, deveríamos congelar os salários durante dois anos."

O ministro já vem defendendo há tempos o congelamento dos vencimentos dos servidores. No Fórum Econômico de Davos, em janeiro, disse que a iniciativa, que consta da proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, que tramita no Congresso, seria importante para controlar a situação fiscal do País.   

Na conversa com os parlamentares, Guedes afirmou que a economia com o congelamento de salários por dois anos seria a mesma que a obtida com eventuais cortes salariais. A diferença é que não haveria o risco deflacionário.

No Congresso, ganharam força nas últimas semanas propostas de corte de salários do funcionalismo público. O próprio presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM), defendeu que todos os poderes dessem sua contribuição neste momento de crise.

Um estudo do economista Matheus Garcia, do Movimento Livres, indica que uma redução de 30% no salário do funcionalismo federal, estadual e municipal bancaria um programa de renda mínima de R$ 200 mensais para 55 milhões de pessoas.

Na reunião deste domingo, porém, Guedes alertou para o risco de deflação. Os dados mais recentes do Banco Central mostram que, no mercado financeiro, a projeção média para o IPCA (o índice oficial de preços) para 2020 já está em 2,94%. Há pelo menos uma instituição, no entanto, que já projeta inflação de apenas 1,17% este ano e, com a redução da atividade econômica, a tendência é que as revisões para baixo continuem.

Participaram da videoconferência com Guedes os deputados federais do DEM Efraim Filho (PB), Kim Kataguiri (SP), Pedro Paulo (RJ), Pedro Lupion (PR) e Alexandre Leite (SP), entre outros. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não estava presente.

Duração da crise

Guedes estimou, durante a videoconferência, que a crise provocada pelo novo coronavírus durará três ou quatro meses, segundo fontes que participaram da reunião. Mas o ministro afirmou que a crise de três ou quatro meses não pode ser transformada "numa crise de três ou quatro anos". Neste contexto, ele defendeu a manutenção da agenda de reformas estruturantes.

Em um momento da videoconferência, Guedes disse que os parlamentares estavam reclamando da qualidade do áudio do ministro, que transmitia a partir da Granja do Torto, em Brasília. "Para vocês verem como está precário o nível de investimento no Brasil", disse Guedes, conforme as fontes.

Tags: Economia Paulo Guedes
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