Pandemia do coronavírus fecha 1,1 milhão de vagas de trabalho no Brasil

Só em abril, total de demissões passou de 860 mil, no pior resultado para o mês em 29 anos.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Devido à pandemia do novo coronavírus, o Brasil perde mais de 860 mil empregos formais em abril.

A pandemia do novo coronavírus fechou 1,1 milhão de vagas com carteira assinada no Brasil em março e abril, segundo números do Cadastro Geral de Empregos e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira (27), pelo Ministério da Economia.

Só em abril foram fechados 860.503 postos de trabalho, o pior resultado para meses de abril desde o início da série histórica da Secretaria Especial de Trabalho e Previdência do Ministério da Economia - que tem início em 1992. Com isso, foi a maior demissão registrada para esse mês em 29 anos.

O recorde de demissões acontece em meio à pandemia do novo coronavírus, que tem derrubado o nível de atividade e empurrado a economia mundial para recessão.

Em março, 240.702 vagas foram cortadas. Nos dois primeiros meses do ano, o Brasil gerou novos postos de trabalho: em fevereiro, 224.818; e em janeiro, 113.155. No acumulado do ano, o saldo está negativo em 763.232 vagas.

Apesar da eliminação de mais de 1,1 milhão de empregos entre março e abril, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, disse que o “copo está meio cheio” e que empregos estão sendo preservados com as medidas como suspensão de salários e redução de jornada.

“Desemprego não é algo para comemorar, a preservação de empregos é (comemorável). O copo está meio cheio, estamos preservando emprego e renda”, afirmou.

Bianco reconheceu que os números do Caged são duros e refletem a pandemia. “O Brasil está conseguindo preservar empregos, mas não manter nível de contratação.”

De acordo com o secretário, os dados vão ajudar o governo a formatar uma nova fase de políticas públicas, para estimular contratações, mas não detalhou medidas.

Até 26 de maio, 8,154 milhões de trabalhadores foram atingidos com medidas como suspensão do contrato ou redução do salário e jornada.

Essa é a primeira divulgação dos dados sobre empregos formais relativos ao ano de 2020. O último resultado tornado público pelo governo foi o de todo ano passado - que saiu em janeiro deste ano.

No fim de março, o Ministério da Economia suspendeu a divulgação do Caged porque empresas haviam deixado de enviar informações, principalmente referentes às demissões de trabalhadores formais, o que poderia comprometer a qualidade dos dados. E pediu que as empresas retificassem e reenviassem as informações.

Tags: Economia
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