No 4º mês de alta, 'prévia' do PIB do BC avança 1,06% em agosto

No acumulado do ano, porém, o índice de atividade econômica calculado pelo Banco Central registrou retração de 5,44%.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Arquivo/Agência Brasil
Após a forte retração nos meses de março e abril, em meio à pandemia de covid-19, a atividade econômica brasileira apresentou o quarto mês consecutivo de alta. O Banco Central informou nesta quinta-feira (15), que seu Índice de Atividade (IBC-Br) subiu 1,06% em agosto ante julho, na série já livre de influências sazonais, uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes. Em julho, o avanço havia sido de 3,71% (dado revisado).
Os efeitos da pandemia do coronavírus sobre a economia, apesar de percebidos em fevereiro, se intensificaram em todo o mundo a partir de março. Para conter o número de mortos, o Brasil adotou o isolamento social em boa parte do território, o que afetou a atividade econômica. Os impactos negativos foram percebidos principalmente em março e abril. Nos últimos quatro meses, porém, o IBC-Br demonstrou reação.  

De julho para agosto, o índice de atividade calculado pelo BC passou de 132,64 pontos para 134,05 pontos na série dessazonalizada. Esse é o maior patamar desde fevereiro deste ano (139,92 pontos).   

A alta do IBC-Br ficou dentro do intervalo projetado pelos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam resultado entre 0,90% e 3,44% (mediana em 1,70%).

Na comparação entre os meses de agosto de 2020 e agosto de 2019, houve baixa de 3,92% na série sem ajustes sazonais. Essa série encerrou com o IBC-Br em 136,66 pontos em agosto.

O indicador de agosto de 2020 ante o mesmo mês de 2019 mostrou desempenho dentro do intervalo projetado pelos analistas do mercado financeiro consultados pelo  Projeções Broadcast, que esperavam resultado entre -4,80% e -3,01% (mediana em -4,05%).

No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, de acordo com a instituição, o índice de atividade econômica do BC registrou uma retração de 5,44% - sem ajuste sazonal.

Em 12 meses até agosto de 2020, os números do Banco Central indicam queda de 3,09% na prévia do PIB - também sem ajuste sazonal.

Conhecido como uma espécie de “prévia do BC para o PIB”, o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. A projeção atual do BC para a atividade doméstica em 2020 é de retração de 5%. Esse cálculo foi divulgado por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro.

No Relatório de Mercado Focus divulgado pelo BC na última segunda-feira, a projeção é de queda de 5,03% do PIB em 2020. O Focus reúne as projeções dos economistas do mercado financeiro.  

Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do Produto Interno Bruto. O cálculo dos dois é um pouco diferente - o indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos.

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do País. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.

Atualmente, a taxa Selic está em 2% ao ano, na mínima histórica, e o Banco Central indicou, no comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), cautela na análise de novos cortes de juros.
Tags: Banco Central Economia
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