IBGE: Um em cada quatro jovens entre 18 e 24 anos está desempregado

Números também mostram que o desemprego continua maior entre negros e mulheres.

Da redação, IBGE,
Arquivo/Agência Brasil
Entre a população jovem, de 18 a 24 anos, o índice de desemprego é mais que o dobro da média nacional, ficando em 25,7%.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) divulgados nesta terça-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a estagnação da economia, sob o comando de Paulo Guedes, reflete no desemprego, que segue em 11,8% da população brasileira no terceiro trimestre de 2019. Ao todo, são 12,5 milhões de desempregados.

No entanto, entre a população jovem, de 18 a 24 anos, o índice de desemprego é mais que o dobro da média nacional, ficando em 25,7% no terceiro trimestre. O porcentual significa que mais de um em cada quatro dos 3,997 milhões de jovens estão sem emprego no país.

O desemprego continua maior entre negros e mulheres. No 3º trimestre, 65,2% do total de desempregados no país eram negros ou pardos. Os brancos representam 34%, e pessoas de cor preta respondiam por 12,7%.

Em 2018, no Brasil, os pretos ou pardos passaram a ser 50,3% dos estudantes de ensino superior da rede pública, porém, como formavam a maioria da população (55,8%), permaneceram sub-representados.

Além disso, entre a população preta ou parda de 18 a 24 anos que estudava, o percentual cursando ensino superior aumentou de 2016 (50,5%) para 2018 (55,6%), mas ainda ficou abaixo do percentual de brancos da mesma faixa etária (78,8%).

Nesse mesmo período, o percentual de jovens de 18 a 24 anos pretos ou pardos com menos de 11 anos de estudo e que não frequentava escola caiu de 2016 (30,8%) para 2018 (28,8%). Esse indicador era de 17,4% entre os brancos, em 2018.

No mercado de trabalho, os pretos ou pardos representavam 64,2% da população desocupada e 66,1% da população subutilizada. E, enquanto 34,6% dos trabalhadores brancos estavam em ocupações informais, entre os pretos ou pardos esse percentual era de 47,3%.

O rendimento médio mensal das pessoas brancas ocupadas (R$2.796) foi 73,9% superior ao da população preta ou parda (R$1.608). Os brancos com nível superior completo ganhavam por hora 45% a mais do que os pretos ou pardos com o mesmo nível de instrução.

A desigualdade também estava presente na distribuição de cargos gerenciais, somente 29,9% deles eram exercidos por pessoas pretas ou pardas.

Em relação à distribuição de renda, os pretos ou pardos representavam 75,2% do grupo formado pelos 10% da população com os menores rendimentos e apenas 27,7% dos 10% da população com os maiores rendimentos.

Enquanto 44,5% da população preta ou parda vivia em domicílios com a ausência de pelo menos um serviço de saneamento básico, entre os brancos, esse percentual era de 27,9%.

Pretos ou pardos são mais atingidos pela violência. Em todos os grupos etários, a taxa de homicídios dos pretos ou pardos superou a dos brancos. A taxa de homicídios para pretos ou pardos de 15 a 29 anos chegou a 98,5 em 2017, contra 34,0 para brancos. Para os jovens pretos ou pardos do sexo masculino, a taxa foi 185,0.

Também não há igualdade de cor ou raça na representação política, apenas 24,4% dos deputados federais, 28,9% dos deputados estaduais e 42,1% dos vereadores eleitos eram pretos ou pardos.

Esses dados são do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, que faz uma análise das desigualdades entre brancos e pretos ou pardos ligadas ao trabalho, à distribuição de renda, à moradia, à educação, à violência e à representação política. Acesse a publicação completa e o material de apoio para mais informações.

As análises desse estudo estão concentradas somente nas desigualdades entre brancos e pretos ou pardos, devido às restrições estatísticas impostas pela baixa representação dos indígenas e amarelos no total da população brasileira quando se utilizam dados amostrais. Em 2018, 43,1% da população brasileira era branca; 9,3%, preta; e 46,5%, parda. Esses três grupos juntos representavam 99% do total de moradores do país.

Tempo

Dos 12,5 milhões de desempregados do país, 3,2 milhões (25,2% do total) procuravam trabalho há dois anos ou mais e 1,7 milhão entre 1 ano e 2 anos. Outra parcela de 1,8 milhão de desocupados buscava trabalho há menos de um mês. A maior fatia, um contingente de 5,8 milhões, estava desempregado entre 1 mês e menos de 1 anos.

Tags: desemprego IBGE PNAD
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