Fusão dos bancos Itaú e Unibanco pode prejudicar funcionários do RN

Bancos formam a 16ª maior organização mundial, com mais de 100 mil funcionários. Apesar de diretores negarem, o Sindicato dos Bancários no RN alerta para prejuízos.

Marília Rocha,
A fusão nacional do Unibanco e Itaú, anunciada ontem (3) por dirigentes dos dois bancos, que vinham conversando há 15 meses, desde que estourou a crise econômica americana, preocupa o Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte, que alerta para os prejuízos causados pela união das empresas.

O diretor do Sindicato dos Bancários, Juvêncio Hemetério, comenta os malefícios para os funcionários e para os clientes. “Historicamente, o processo de fusão através de aquisições e privatizações só traz prejuízos, como perda de empregos para funcionários e aumento de tarifas para clientes”, afirma.

Apesar de a direção dos bancos Itaú e Unibanco assegurar que não vai haver demissões, a lógica é que diminuam a quantidade de agências bancárias e que unifiquem setores como direção e call center, acarretando em demissões.

“Essa mega fusão significa primeiramente diminuição do quadro de funcionários”, alerta o diretor do Sindicato.

Juvêncio afirma que o Unibanco tinha como planejamento atingir a meta de mil agências no Brasil e, no Rio Grande do Norte, a meta futura seria criar uma agência em Parnamirim. “Com a fusão, os bancos não têm mais cronograma de construção de novas agências”.

Outro fator preocupante para os bancários é a questão da localização geográfica. “Uma das agências da Prudente de Morais, por exemplo, provavelmente deve ser desativada”, comenta.

Ele lembra a compra do Banco Real pelo Santander, há dois meses, quando os diretores garantiam a manutenção do quadro de funcionários e, posteriormente, reduziram gradativamente o número de trabalhadores.

“O processo de fusões é reflexo da crise econômica, em que os bancos se unem para fortalecer o sistema”.

Para tentar assegurar empregos, o Sindicato dos Bancários marcou uma reunião para sexta-feira (7) com os diretores dos dois bancos. “O Itaú tem 66% das ações e o Unibanco tem 34%. Vamos negociar para que o efeito dessa fusão não seja tão forte para os funcionários do Unibanco”, afirma Juvêncio.

Os clientes também devem sentir os prejuízos com o aumento nas tarifas bancárias e adaptação das regras do novo banco.
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