Dólar fica abaixo de R$ 5 pela 1ª vez em um ano, mas fecha em alta após decisão do Fed

Moeda americana bateu em R$ 4,99, mas encerrou com ganho de 0,3%, após banco central dos Estados Unidos manter sua política monetária inalterada.

Da redação, Estadão Conteúdo,

dolar_cotacao_370Pela primeira vez desde 10 de junho do ano passado, o dólar ficou abaixo de R$ 5 nesta quarta-feira (16). Na mínima do dia, a moeda americana à vista caiu 0,90%, para R$ 4,9976. No entanto, o resultado durou por pouco tempo e, na esteira da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que manteve sua política monetária inalterada, o dólar voltou a subir e fechou cotado a R$ 5,0600, em alta de 0,34%.

Até o meio da tarde, a entrada de capital estrangeiro no mercado local e as vendas de exportadores deram força ao real. Mas, após a divulgação do comunicado do Fed, que manteve os juros dos EUA entre 0% e 0,23% ao ano e sinalizou duas elevações na taxa apenas em 2023, o dólar inverteu o movimento tanto aqui quanto no exterior, com o índice DXY, que mede a força da divisa americana ante outras moedas principais, como euro e libra, também atingindo máximas no dia.

Os investidores não gostaram da declaração da entidade monetária, que voltou a dizer que a inflação subiu no país, mas "majoritariamente" refletindo fatores transitórios, segundo comunicado. O texto indica ainda que o Fed deixará a inflação nos Estados Unidos moderadamente acima da meta de 2% por "algum tempo" para que o nível de preços fique dentro do objetivo da entidade e a inflação permaneça "ancorada" em 2% a longo prazo.

Para justificar a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, voltou a dizer que a recuperação da economia dos EUA ainda não está completa e que há risos, como a pandemia, destacando ainda a existência de um grande "grupo de desempregados no País". Além disso, ele destacou o prosseguimento do programa de títulos públicos, uma das medidas que o mercado esperava que já fosse alvo de algum tipo de aperto, e disse ainda que a discussão de alta de juros agora "seria prematura".

Durante entrevista coletiva, Powell disse, no entanto, que a inflação dos EUA acelerou de forma "notável" e "acima das previsões"nos últimos meses, provocada pelo conjunto da fraca base comparativa de 2020, alta nos preços do setor de energia e retomada dos gastos com consumo.

Porém, o mercado ainda monitora a decisão desta quarta do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a Selic. As apostas majoritárias são de que a taxa básica de juros terá mais uma alta, de pelo menos 0,75 ponto, para 4,25% ao ano, embora parte dos analistas aposte em 1 ponto de aumento.

Os investidores também acompanham o cenário fiscal, depois que o presidente Jair Bolsonaro dizer que o Bolsa Família será ampliado para R$ 300, a crise hídrica no País e as discussões sobre a medida provisória que abre caminho para a privatização da Eletrobrás.

Sobre o tema, para defender as termelétricas a gás, incluídas por meio de jabutis aprovados na Câmara na MP da Eletrobrás, o governo cita que "o lobby contra as térmicas foi justamente o que nos trouxe a essa situação de potencial racionamento". Não está descartada a possibilidade de que a votação fique para esta quinta-feira, 17, caso o governo não obtenha uma margem segura para aprovar a MP.

Já os negócios na Bolsa brasileira (B3) foram marcados pela instabilidade tradicional dos dias de vencimento de opções sobre seu principal índice, o Ibovespa, que não conseguiu manter o patamar dos 130 mil pontos, principalmente diante da queda do mercado de Nova York. O índice cedeu 0,64%, aos 129.259,49 pontos.

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